"Não me vão calar". Esta foi uma das frases mais repetidas por Vanderlei Luxemburgo esta sexta-feira, 3 Abril. Castigado com uma suspensão de dois jogos por criticar a Federação de #Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), o treinador do Flamengo mostrou toda a sua revolta. Lembrando que a democracia foi há muito tempo um direito conquistado pelos brasileiros, o técnico de 62 anos reforçou que nada o vai calar. No entanto, terminou a conferência de imprensa de forma sui generis, tapou a boca com fita-adesiva, como se fosse uma mordaça, e afirmou que não vai falar até voltar a ter liberdade.

Na base deste protesto está o castigo de dois jogos que a FERJ aplicou a Vanderlei Luxemburgo.

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O técnico do Flamengo criticou o órgão máximo do futebol carioca quando abordou a limitação imposta aos clubes no que toca à utilização de jogadores da formação. Usando um discurso inflamado, a frase forte ocorreu quando o antigo treinador do Real Madrid disse "que era preciso dar porrada na Federação". Apesar de poder ter vários significados, foi exactamente esta frase que ditou a sentença do técnico dos rubro-negros. O caso assumiu contornos ainda mais mediáticos depois do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva ter suspendido o castigo aplicado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No entanto, um dia depois, a ordem de suspensão ficou sem efeito e Luxa ficou irremediavelmente fora do banco. O primeiro dos dois jogos é logo o clássico da cidade frente ao Fluminense, jogo esse que Vanderlei Luxemburgo garante que nem no Estádio Maracanã vai assistir.

Numa conferência de imprensa que gerou muita curiosidade em torno da primeira reacção do técnico do Mengão, o tema foi claro, o castigo, mas também a liberdade, que segundo o técnico de 62 anos está a ser colocada em causa.

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Luxemburgo recuou inclusive no tempo para recordar as conquistas do povo brasileiro, sendo que o direito de expressão foi exactamente um desses direitos. Considerando que se sentiu "violentado", deixou o alerta: "Não podemos voltar a viver numa ditadura", afirmou.

Garantindo que a expressão "dar porrada" não foi dita no sentido de agressão, Vanderlei Luxemburgo explicou que a intenção passou por mostrar o desagrado acerca de uma regra que limita o direito dos mais jovens poderem jogar futebol. Depois de esclarecer tudo o que tinha para esclarecer, Luxa tapou a boca com um pedaço de fita adesiva, asseverando que só se vai voltar a pronunciar quando sentir que recuperou o direito à liberdade de expressão.

Assim vai o futebol brasileiro, em particular o carioca. De referir ainda que o Fla-Flu joga-se este domingo quando forem 22:30.