Depois de 21 dias de navegação através das 6.776 milhas de rota entre Auckland, Nova Zelândia, e Itajaí, Santa Catarina, Brasil, na 5.ª etapa da regata à volta do mundo Volvo Ocean Race, a tripulação feminina Team SCA cortou finalmente a meta. Cansadas, magoadas mas felizes, as velejadoras foram recebidas calorosamente pelo público brasileiro, amigos e familiares. A skipper inglesa Samantha Davies - veterana navegadora solitária - disse que esta etapa da rota foi a mais difícil. As condições meteorológicas também foram particularmente duras, a começar com os ventos fortes logo depois da largada em Auckland (que havia sido adiada devido à passagem do ciclone Pam), as temperaturas baixas no Pacífico Sul e os temporais e calmarias na costa sul-americana.

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"Enfrentámos de tudo - quebra de equipamentos a bordo, um susto tremendo quando o barco adernou demasiado durante uma manobra, colisões com objetos não identificados que obrigou a equipa a retirar o leme para reparação." Samantha acrescenta: "Estamos muito cansadas. Sabíamos que só conseguiríamos completar este percurso como uma equipa coesa, aceitando juntas as frustações e reveses. Depois de uns dias de descanso, vamos analisar a etapa e perceber o que aprendemos." Sam Davies frisou que a passagem pelo cabo Horn foi um momento especial para a tripulação, que homenageou o antigo treinador sueco Magnus Olsson, uma dos mais importantes navegadores oceânicos do mundo, falecido há dois anos.

Sam Davies recontou os momentos mais dramáticos a bordo, especialmente o 'Chinese gybe', uma cambadela radical em que o barco ficou totalmente adernado sobre o mar, um incidente que ocorreu seis dias após a largada em Auckland.

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"Destruímos uma das nossas velas de proa, a mais importante para as condições nos mares austrais." Deste momento em diante a equipa feminina viu-se com opções reduzidas no que dizia respeito às velas a bordo e portanto perdeu velocidade na rota.

Para a navegadora Libby Greenhalgh isto significou planear a melhor rota mas com um handicap. "Perdemos uma vela de proa que era fundamental para as condições de vento na rota até o cabo Horn. Nossas oportunidades ficaram assim limitadas. De certa forma foi interessante e desafiador pois tivemos de nos adaptar conforme navegávamos. Mas tivemos de percorrer muitas milhas a mais, em função do ângulo de navegação, e sem a velocidade necessária." #Desportos Náuticos