Tivemos a oportunidade de falarmos com a autora do livro "Mafaldisses - Crónicas sobre Rodas", que embarcou rumo a uma nova aventura com a corrida da saúde mais solidária. Mesmo que portadora de uma deficiência, a Osteogénese Imperfeita, e deslocando-se numa cadeira de rodas, mostrou que não existem impossíveis. Esta prova juntou inicialmente atletas na Alameda da Cidade Universitária que culminaram o percurso na Pista de #Atletismo do Estádio de Honra do Estádio Universitário. Antes disso todos tiveram oportunidade de passar pelo Campo Grande, Campo Pequeno e Saldanha, sem excepção para Mafalda Ribeiro e o seu amigo Jaume Pradas, que terminaram o desafio com uma "explosão de gratidão".

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Qual foi a sensação de correr?

Uma liberdade que nunca tinha experimentado antes em 32 anos. Costumo dizer que autonomia e liberdade são coisas diferentes. Ao longo da minha vida, fui lutando para ser cada vez mais autónoma nas pequenas coisas, por dentro das minhas limitações físicas. Mas isto ultrapassou a minha escala real de superação; correr empurrada na minha cadeira de rodas, quando nunca dei um passo sequer sozinha, foi sentir-me tão livre, quase como se estivesse a voar.

Qual o tipo de cadeira usada?

A cadeira teve de ser totalmente adaptada à minha condição de portadora de Osteogénese Imperfeita, a chamada doença dos ossos de vidro, que é caracterizada por uma fragilidade óssea extrema. Com o fabuloso, rápido e eficaz apoio da Mobilitec foi possível adaptar uma cadeira de rodas manual ultraleve, com um assento à minha medida almofadado de maneira a eu ir o mais acondicionada possível e cintos para a minha total segurança.

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Foram também colocados uns punhos de condução especiais para o Jaume Pradas me poder empurrar de uma forma mais confortável. Além disso, foi-lhe acrescentado também um sistema de roda livre dianteira, o Freewheel, para ajudar a cadeira a andar mais depressa. Fiquei apaixonada pelo meu novo veículo.

Qual o teu atleta de eleição e porquê?

Todos os atletas paralímpicos são um exemplo de coragem e resiliência para mim. Se o desporto move massas, então o desporto adaptado para deficientes devia fazer parte também desse fenómeno. É muito importante que valorizemos os nossos atletas que são autênticos vencedores em dose dupla: nas competições e na vida.

Como foi a tua primeira participação numa prova?

Emocionante. Jamais vou esquecer esta Corrida da Saúde + Solidária. Os meus ossos portaram-se à altura do acontecimento. O ambiente foi maravilhoso. Tivemos a família a apoiar-nos na partida e na meta. Vários amigos fizeram questão de correr ao nosso lado. E acima de tudo percebi que no amor de um amigo, como o do Jaume Pradas, sou mais forte do que as evidências.

Não perca a segunda parte da entrevista, onde se explicam os motivos pelos quais participou, o tipo de preparação, os apoios e futuras corridas. #Casos Médicos