Declarações exclusivas desta pequena grande mulher, Mafalda Ribeiro, portadora de uma doença rara, a Osteogénese Imperfeita. A nossa entrevistada nunca tinha participado em algo do género, como uma corrida por ser "uma adepta controlada de futebol, benfiquista e blaugrana apaixonada". Sempre assistiu ao desporto, mas nunca passou pela sua cabeça a prática de qualquer modalidade que fosse por questões de risco.

Vais repetir?

Completamente. A próxima é a meia maratona de Lisboa, já em Outubro. Mas o verdadeiro sonho será a meia e quem sabe a seguir a maratona de Barcelona em 2016. Faz sentido, afinal primeiro o catalão empurra-me em Portugal.

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E depois a portuguesa é empurrada na Catalunha. Somos a verdadeira equipa ibérica sobre rodas.

Quem te apoiou nesta aventura?

A Mobilitec, como já referi, foi fundamental e o nosso maior apoio. Obrigada principalmente ao Manuel Ribeiro e à Helena Vitorino pela amizade de tantos anos. Para além deles, o Jaume teve o apoio contínuo da Processo Natural (centro terapêutico). E os dois da Monavie e da Adidas.

Que tipo de preparação fizeste?

O Jaume teve de se preparar muito mais do que eu. Foram meses de treinos diários, afinal correr sozinho é muito diferente do que empurrar uma cadeira de rodas, com mais 22 kg de pessoa em cima. Treinámos, não tanto quanto gostaríamos, mas foram os treinos suficientes para percebemos que era possível fazermos isto juntos. É que algo assim, no meu caso, tem de ser feito com alguém em quem eu confie absolutamente, para lá da boa forma física.

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A minha preparação individual passou muito pelo lado de descanso prévio do meu corpo, para não ter surpresas. Mas acima de tudo, o que desejei sempre foi estar preparada mentalmente numa entrega minha e de motivação extra para o Jaume. Ele empurrava-me com o corpo e eu puxava-o com a cabeça.

Quando surgiu esta ideia?

A culpa é do Jaume Pradas! O desafio aconteceu depois de termos visto juntos o filme francês "Com Todas as Nossas Forças", que conta a história de um pai que leva o filho com paralisia cerebral a fazer o "Ironman". A história também não é nova porque o argumento é baseado numa história verídica, só que americana. Quando o filme acabou, o Jaume disse-me: "o Ironman não consigo fazer, mas uma maratona sim. Se quiseres ir, eu empurro-te!". Sinceramente, achei que ele estava a gozar. Mas afinal foi mesmo a sério!

O teu pensamento antes e após a corrida?

Uma explosão de gratidão inexplicável e que foi partilhada pelo Jaume, também. Temos a mesma fé em Deus e colocamo-Lo no centro de tudo o que somos e fazemos. Por isso isto não foi correr a dois, foi a três. Sem a fidelidade d'Ele na nossa vida e na nossa amizade isto não tinha acontecido.

Não perca a terceira parte da entrevista onde falamos sobre a forma como Mafalda encara a vida, os projetos, palavras de encorajamento a terceiros e sobre o sistema de saúde. #Atletismo #Casos Médicos