Última parte da entrevista a Mafalda Ribeiro, que acedeu gentilmente ao nosso pedido e que fez revelações sobre a força interior que a move, a sua crença, a partilha e o tipo de instituições que acompanham e tratam as pessoas que sofrem deste tipo de deficiência. Sempre bem disposta, transmite a terceiros a sua alegria de forma contagiante. Esta sua energia reflete-se no seu esforço diário em apoiar, ajudar e auxiliar os outros. Aqui ficam as suas palavras de esperança.

Fazias anos no dia da corrida, 32 anos. Como encaraste mais esta etapa na tua vida?

Foi uma espécie de ironia tendo em conta que há 32 anos o meu sinal de partida, aquando do meu nascimento, foi uma guia de marcha para a eternidade.

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Eu contrariei as estatísticas porque o Autor da minha vida já tinha planeado que aos 32 anos eu ia correr. Acredito mesmo nisso. Portanto, encarei como mais uma bênção no meu caminho. E agradeci duplamente sentir essa Mão Maior protetora tão presente, como até aqui, e as duas mãos do Jaume a empurrarem-me nesta corrida e na vida.

Como vê a vida?

De uma forma muito simples e como uma oportunidade única. Acho que as pessoas complicam aquilo que foi criado para ser vivido como uma dádiva. Devíamos estar em tudo gratos em vez de nos queixarmos tantas vezes de tudo e de todos. Acredito plenamente que não fui um acidente e que fui planeada e amada desde o princípio. Viver com um sorriso, face às circunstâncias, é acima de tudo fazer a minha parte num plano que é tudo muito maior do que eu.

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Quais as palavras de encorajamento para as pessoas que têm o mesmo problema de saúde?

A Osteogénese Imperfeita não é o fim do mundo, é só uma forma diferente de viver no mundo. Os nossos ossos podem ser frágeis e isso não podemos mudar, mas a nossa força de vontade pode ser de ferro e essa parte de nós. Aprendi que não posso controlar as dores físicas das fracturas consecutivas que vêm à minha vida, mas posso decidir viver ou não em sofrimento por ser alguém portador de deficiência. Porque acredito que não sou um castigo divino, faço por passar aos outros que o Amor também está na nossa génese e esse é mais do que perfeito.

Em Portugal o sistema de saúde está preparado para pessoas com a mesma situação?

Já esteve menos. Mas eu sou uma optimista por natureza. A boa notícia é que temos em Portugal a APOI - Associação de Portuguesa de Osteogénese Imperfeita - que dá apoio e informação aos doentes e suas famílias e ao pessoal clínico. Por ser considerada uma doença rara, a OI também está contemplada na Raríssimas - a Associação de Doenças Raras - e o acompanhamento pode ser feito de forma complementar por aí também.

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Achas que a expressão "chegar, ver e vencer" aplica-se a ti de que forma?

Não se aplica. Gosto mais da expressão, "chegar, crer e vencer". Continuo a preferir a promessa das coisas que não se vêem, em vez daquilo que os atestados médicos ditam que eu posso ou não fazer.

Sobre o futuro?

No que concerne a esta experiência, e a todas as metas que pretendo atingir quer pessoal quer profissionalmente, quero levar à prática o lema que ouvi dentro de mim nos últimos dias: "Se não podes andar, corre!"

Fala-nos um pouco sobre ti. Que fazes da vida e que projetos estão em desenvolvimento?

A curto prazo estão em fase de concretização alguns projetos literários. Mas o meu foco principal são as palestras motivacionais que dou em empresas e escolas. Acredito que a palavra, oral e escrita, pode levar-me onde as pernas não me levam. Fazer disto vida é quase um dever porque sei que é este o propósito de estar aqui, nesta embalagem. Só quero ser um meio para passar aos outros uma mensagem de esperança! #Atletismo #Casos Médicos