Faz hoje 21 anos que Ayrton Senna faleceu num acidente na curva Tamburello, na pista de Imola, em Itália, durante o GP San Marino de Fórmula 1. Os carros passavam ali a 300 km/h, e estima-se que o tricampeão tenha conseguido reduzir para 200 km/h até ao momento do embate contra o muro. Contudo, Senna já havia pensado em alterar ou eliminar a curva, mas a ideia não chegou a avançar. É Gerhard Berger, amigo próximo e colega de Senna na McLaren durante 3 anos, que conta a história, numa entrevista que hoje recordamos aqui na Blasting News.


No GP San Marino de 1989, Berger teve um acidente muito grave nessa mesma curva. Tal como Senna, o austríaco perdeu o controlo do Ferrari e bateu a alta velocidade no muro; o carro incendiou-se e passaram-se longos segundos de angústia até à chegada de socorro. Berger escapou quase ileso, mas aponta que o acidente lhe deixou sequelas psicológicas, nunca mais tendo arriscado em pista da mesma forma.


À data, Senna e Berger já eram amigos próximos, embora o austríaco só viesse a juntar-se ao piloto de S. Paulo na McLaren no ano seguinte. Algumas semanas depois, Senna (que vivia na Europa durante a temporada de F1) desafiou o amigo a ir inspecionar a curva e ver como poderiam aumentar a segurança ali. Ambos foram até Imola e entraram a pé, ao longo da pista, indo até à curva.


Nessa altura, não existiam fotos aéreas, de satélite ou Google Maps. Hoje, é fácil para qualquer pessoa ver aquilo que Senna e Berger, que não viviam em Imola nem sequer em Itália, não sabiam ainda: passa um pequeno rio do lado de fora da curva Tamburello, entalado no fundo de um pequeno vale. Os pilotos saltaram o muro de proteção, pensando que a escapatória poderia ser aumentada. Mas ainda que as árvores (situadas atrás do muro, claro) pudessem ser cortadas, a área de segurança ficaria praticamente do mesmo tamanho. E seria impossível fazer algum aterro para aumentar a escapatória.


"E fazer uma chicane, como se fez em 1995?" pergunta o entrevistador. A resposta de Berger foi sincera e desconcertante. "Não nos ocorreu, não nos passou pela cabeça", disse. "À data, não era habitual a colocação de curvas muito lentas para diminuir a velocidade em zonas rápidas. Nem sequer pensámos nisso." Em 1989 já existiam algumas chicanes desse género, nomeadamente nas pistas de Monza (Itália), Hockenheim (Alemanha) e Suzuka (Japão). 


Gerhard Berger foi um dos pilotos mais devastados pessoalmente pelo GP San Marino de 1994. Além de perder um amigo muito próximo em Senna, perdeu também o amigo e compatriota Roland Ratzenberger, morto no dia anterior, e numa curva onde também se veio a colocar uma chicane em 1995. Berger disputou ainda 3 Grandes Prémios em Imola, com chicanes nas curvas onde morreram Senna e Ratzenberger, antes de se reformar no final de 1997. A pista de Imola foi remodelada e modernizada após 2007, mas atualmente não recebe a Fórmula 1.
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