Quatro dias depois de ser reeleito como presidente da #FIFA, Joseph S. Blatter, não resistiu ao escândalo de corrupção que rebentou na semana passada e apresentou a sua demissão. O anúncio foi feito numa conferência de imprensa surpreendente, em que o suíço expôs as razões da resignação.

"A FIFA precisa de uma reestruturação profunda", declarou o até agora intocável chefe do desporto-rei. "Apesar de me terem confiado um novo mandato, esse mandato não tem o apoio consensual de toda a gente no #Futebol", indicou, referindo-se aos adeptos, jogadores e a todos os que "respiram futebol." A reacção do mundo do futebol à investigação que está em curso, e aponta para subornos na ordem das dezenas de milhões de dólares, foi forte mas sem grande surpresa: havia, há muito, suspeitas não oficias de que algo corria mal na organização do futebol mundial.

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Blatter irá manter-se no cargo até ser eleito um novo presidente, acto para o qual será convocado um congresso extraordinário. Isto significa que o suíço no centro da polémica só deverá sair no final deste ano ou no início de 2016, aguardando-se para ver que outros candidatos à presidência aparecem (o príncipe Ali não conseguiu derrotar Blatter e Luís Figo desistiu).

Várias personalidades do futebol, incluindo Michel Platini, presidente da UEFA, tinham já pedido a Blatter que se demitisse. De acordo com o francês, o pedido foi feito na reunião de emergência convocada pelo presidente após as detenções de 14 dirigentes do organismo máximo do futebol. "Já chega", disse-lhe Platini, ao que ele respondeu que era "demasiado tarde."

Afinal não foi. Blatter também não tinha acedido ao pedido de muitos para que as eleições da passada sexta-feira não se realizassem, tendo em conta esse gravíssimo escândalo de corrupção que rebentou devido a uma investigação levada a cabo nos Estados Unidos.

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Uma outra investigação criminal está também em curso, sobre a forma como foram entregues as organizações dos Campeonatos do Mundo de futebol de 2018 e 2022.

"Estou muito ligado à FIFA e aos seus interesses", declarou Blatter, na conferência de imprensa." Esses interesses são-me queridos e é por isso que estou a tomar esta decisão."

Essa decisão poderá ter sido forçada pelos acontecimentos desta segunda-feira, quando o número dois da FIFA, o francês Jérôme Valcke, foi acusado de ser o homem responsável pelas transacções de 10 milhões de dólares que estão no centro da investigação de subornos nos Estados Unidos. Não é por acaso que o início do fim desta era da FIFA começa precisamente do outro lado do Atlântico, e não na Europa, onde o futebol tem muito mais peso e possíveis ligações perigosas. 

"O que conta mais para mim é a instituição da FIFA e o futebol à volta do mundo", afirmou ainda Blatter, de 79 anos, visivelmente perturbado com os acontecimentos - algo que parecia não ter acontecido antes, mesmo quando todos os analistas desportivos diziam que era impossível o presidente manter-se tendo em conta um escândalo de que dificilmente não teria conhecimento.

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Certo é, para já, que o nome de Blatter não está indiciado nas investigações que decorrem nos EUA.