Sozinho a bordo de um catamarã desportivo com 6,3 metros de comprimento, o skipper suíço Yvan Bourgnon está prestes a completar uma inédita volta ao mundo batizada Le Défi, que teve início em Les Sables d'Olonne a 25 de Outubro de 2013. Numa escala imprevista em Cascais, ele contou um pouco da sua façanha marítima de mais de 50.000 km percorridos apenas com o auxílio de um sextante e sem qualquer assistência externa na navegação.

"Já são 20 meses de navegação e 50.000 km percorridos por todos os oceanos desde a partida de Les Sables d'Olonne a 25 de Outubro de 2013. Houve muitos revéses: o co-skipper Vincent Beauvarlet desistiu do projeto na 2ª escala da rota nas Canárias, apanhei sete grandes tempestades, ocorreram três colisões com navios de carga e barcos de pesca desde a escala em Djibouti, a nordeste de África, sendo a mais recente na passagem por Gibraltar há poucos dias e que resultou em avaria na vela-balão, daí a escala em Cascais para consertá-la", revela Yvan Bourgnon candidamente.

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"Quis fazer esta viagem a solo num catamarã desportivo porque acho que já não há aventura no desporto à vela. Quis trazer de volta a aventura, regressar aos barcos de pequeno porte e tentar fazer novas coisas, novos desafios. Decidi usar apenas o sextante nesta circum-navegação porque queria uma navegação pura, sem GPS, sem previsão do tempo via satélite, sem computadores, sem nada", frisa, dizendo que entretanto aprecia a tecnologia, mas quis fazer uma viagem mais aventureira, diferente.

"Quando parti de Bali para a travessia do oceano Índico - cerca de 2.700 milhas de rota em direção à Maldivas - tive avarias no barco, especialmente num dos cabos que sustentam o mastro, o que me obrigou a subir ao mastro para consertar. Além disso, a transição dos ventos de monção complicaram imenso a navegação até a perto do Equador.

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Quando me aproximava do porto de Galle, no Sri Lanka, ativei o piloto automático a fim de dormir um pouco e acordei num susto ao ser atirado para fora do barco pelas vagas gigantescas a quebrarem contra as rochas, recorda o desportista que milagrosamente escapou ileso.

Regressando à Suíça e França, o skipper solitário lançou-se numa intensa campanha em busca de novos patrocinadores, apoiado pelo seu parceiro administrativo - enavanttoute.ch - e também a Forward Sailing. Com o novo financiamento garantido, Yvan construiu um novo protótipo no estaleiro Shoreteam em Caen, França, e completou a armação do catamarã em Fevereiro de 2015, quando o novo barco foi então enviado por navio para o sul do Sri Lanka, onde o skipper retomou a rota em finais de Março de 2015.

Yvan conseguiu cruzar o restante do oceano Índico, navegou pelo mar Vermelho, passou pelo canal de Suez, alcançou o Mediterrâneo, fez escala em Malta e apanhou um valente susto até chegar ao estreito de Gibraltar - a colisão à meio da noite com um navio de carga que quase sugou seu barco no meio nas ondas.

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"A vela-balão rasgou-se em mil pedaços", recorda, dizendo que decidiu então fazer uma escala em Cascais onde sabia que encontraria apoio técnico, como de fato encontrou no representante da velaria North Sails em Portugal, Vicente Pinheiro.

Com uma caixa de cerejas frescas na mão e uma tranquilidade desarmante, o skipper suíço que passou por tantas peripécias oceânicas partiu discretamente de Cascais na sexta-feira à tarde. Feliz segue agora para o porto de Ouistreham, a norte de Les Sables d'Olonne, França. #Desportos Náuticos