O sucesso de Max Verstappen trouxe novamente à Fórmula 1 as críticas de que os carros actuais são muito fáceis de conduzir. Deixando de lado o facto de o adolescente holandês estar a bater-se com adversários mais velhos e experientes, estas críticas vêm recordar-nos que os fãs não acompanham a velocidade da evolução dos desportos. Acontece o mesmo com o futebol. Vejamos como.

Publicidade

As críticas à facilidade da F1 não são novas. Diz-se que os carros actuais são muito fáceis e que os V10 é que era, mas em 2001 Kimi Raikkonen sofreu as mesmas críticas, ao ponto de correr com uma superlicença provisória, por falta de experiência.

Publicidade

Bem, mas provavelmente nos anos 80 é que era, e nos anos 50 nem se fala.

Porém, os críticos esquecem que não só os carros e as possibilidades técnicas das equipas (em termos de recolha e análise de dados) são diferentes dos anos 50, mas também os pilotos são muito diferentes. No passado, os pilotos podiam dar-se ao luxo de fumar, ter estilos de vida descontraídos ou só testar se lhes apetecesse. Foi o caso de James Hunt, um ídolo e um ícone do seu tempo. Mais tarde, Nigel Mansell era conhecido por passar o tempo no golfe e só chegar à pista para correr, deixando os testes para outros.

A partir dos anos 80, e com o desaparecimento de Gilles Villeneuve ("o último piloto", segundo Prost), tudo isto acabou. Lauda foi dos primeiros a fazer valer nas pistas análises minuciosas das suas performances. Piquet e Prost testavam intensamente. Senna não só testava como começou a correr em karts aos 4 anos de idade. E Michael Schumacher elevou o patamar para outro nível, bem acima de qualquer outro da sua geração..

Publicidade

No seguimento de Senna e Schumacher, hoje vai ser difícil surgir um super-piloto de F1 que não tenha começado a correr aos 4 anos de idade (Alonso, Vettel, Verstappen) e que não seja superprofissional. Há dias, Prost declarou à imprensa que, falando com o jovem Verstappen, se impressiona pelo facto de ele saber todos os truques de pilotagem de um piloto experiente. O "Professor" lembra que os tempos são outros: ele próprio não pôde começar a competir antes dos 19 anos; já Max corre desde os 4, tem um ex-piloto como pai, joga simuladores de F1 nos tempos livres...

Profissionalismo também no futebol

Acontece o mesmo no futebol. Comparemos Hunt a Garrincha. O "anjo das pernas tortas" foi um dos grandes génios de todos os tempos. Mas os maiores futebolistas da actualidade são máquinas de trabalho, super-atletas completamente dedicados e fascinados pela profissão. Se Cristiano Ronaldo cultiva essa imagem, #Lionel Messi não é menos focado nos treinos e em conseguir sempre mais e melhor..

Publicidade

Actualmente, continuam a existir génios irreverentes e antiheróis, mas têm que ser superprofissionais. Essa é a diferença entre Ibrahimovic (rebelde, mas um grande profissional) e Mario Balotelli (só o génio não chega.)

O tempo não volta para trás

Os futebolistas não podem dar-se ao luxo de viver como Garrincha, ou serão ultrapassados por uma multidão de candidatos a ser o próximo Messi ou CR7. Na Fórmula 1 é igual. Até podemos voltar a construir carros como nos anos 80. Melhor que isso, podemos ter uma relação peso-potência como nos anos 80 (como defende Gerhard Berger), cortar DRS, aerodinâmica e privilegiar a mecânica. Mas não vamos mais ter pilotos de instinto, confiando só nos seus reflexos; não vamos deixar de ter dados e mais dados para pilotos e equipas analisarem; e não deixaremos de ter o exemplo dos campeões mais recentes, nomeadamente Schumacher. #Automobilismo #Cristiano Ronaldo