O mundo da Fórmula 1 reagiu negativamente à troca de Kvyat por Verstappen anunciada pela Red Bull esta semana, com o russo a ser "despromovido" à equipa B, a Toro Rosso, e o holandês a subir à equipa principal. Há sempre a tentação de se ser solidário com quem tinha um lugar e foi "despedido". As redes sociais pareceram reagir da mesma forma. Contudo, quem acompanha o #Automobilismo e viu a forma como António Félix da Costa foi preterido por Kvyat para um lugar na Toro Rosso no início de 2014 sabe que no automobilismo as coisas são assim mesmo.

Kvyat não tem mais direito a ter o seu lugar protegido do que tinha Félix da Costa.

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A "solidariedade" que o mundo da F1 parece querer mostrar para com o russo não apareceu ao português, certamente porque ninguém o conhecia - claro, ainda não fazia parte do circo. Mas será que quem chega "lá acima" tem um estatuto próprio e mais direito a ver o lugar conservado? Na verdade, deveria ser ao contrário: quem está no topo dos topos tem que ser ultra-profissional. É aos pilotos de Fórmula 1 que os erros são menos tolerados, porque eles são os melhores dos melhores.

Atualmente, existirão talvez 50, 60 ou 70 pilotos com capacidade para estar na Fórmula 1 e concretizar resultados, mas apenas 22 vagas. Sabendo que Schumacher teve um convite da Sauber para 2013, quem sabe se (sem a fatalidade que o atingiu) não estaria a disputar com Felipe Nasr a supremacia na equipa suíça. Nos últimos 4 Grandes Prémios, já deu para ver que os dois pilotos de testes da McLaren (Kevin Magnussen, agora na Renault, e Stoffel Vandoorne, substituindo Alonso no Bahrain) têm capacidade mais que suficiente para estar entre os 22 eleitos.

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Mas até ao final da época passada, nenhum deles estava no plantel, e Vandoorne continua de fora. Kvyat tem feito um trabalho sólido, mas existem muitos pilotos capazes de fazer um trabalho sólido

Piloto sólido VS potencial campeão

O russo foi batido por Ricciardo em 2015; os 3 pontos a mais não disfarçam esse facto. A isso junta-se o facto de que Verstappen tem uma margem de crescimento enorme, tendo apenas 18 anos. Dados os rumores de um possível interesse de Ferrari e Mercedes, parece lógico que a Red Bull queira conservar um piloto que dá sinais de ser um potencial campeão. Entre um grande número de pilotos que conseguem fazer um trabalho sólido, os campeões destacam-se naturalmente. E só há 22 vagas.

Opondo Verstappen a um piloto que não está a conseguir lidar com a pressão, e havendo até a hipótese de trocá-los de modo a que o russo tenha uma segunda oportunidade, é claro que a troca faz todo o sentido.

A F1 está "morta?"

Alguns meios de comunicação social parecem ter prazer em abater o desporto que adoptam como tema.

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A F1 não está mais morta do que em 1991, quando Roberto Moreno foi dispensado a meio do ano da Benetton para a entrada de Schumacher. Ou do que em 1993, quando a McLaren trocou Andretti por Hakkinen. Schumacher e Hakkinen vieram a afirmar-se entre os melhores dos melhores, dando razão a quem os promoveu.

No caso Schumacher-Moreno, há quem ter em conta que Flavio Briatore (sempre ele) rasgou um contrato estabelecido com o brasileiro, o que não pode ser aceitável. Contudo, no caso da Red Bull, estando todos os 4 pilotos contratados pela Red Bull, essa questão nem se coloca.

Kvyat não tem de que se queixar. Roberto Moreno não tinha uma "Benetton B" à sua espera quando Schumacher lhe tirou o lugar.