O regresso de Michael Schumacher à Fórmula 1, com a Mercedes, entre 2010 e 2012, é normalmente definido como um fracasso. O alemão não foi campeão, não somou qualquer vitória e foi batido por Rosberg ao longo desses três anos. No entanto, trata-se de uma análise muito dura para aquilo que o alemão conseguiu fazer. Schumacher tinha 41 anos quando a temporada 2010 começou, e 43 quando terminou 2012. Na época moderna, nenhum piloto com mais de 40 anos conseguiu fazer o que ele fez.

Ver Schumacher durante esses 3 anos foi como ver a História a acontecer. Era como se o alemão se tivesse tele-transportado lá de onde estava. Alonso, Hamilton, Webber, Rosberg, Button, Raikkonen, Kobayashi, Vettel, etc., eram nomes do presente. Nalguns casos, já veteranos. Mas Schumacher era 16 anos mais velho que o seu colega de equipa, Nico Rosberg. Não há memória de tal diferença de idades entre companheiros de equipa na F1 moderna.

Schumacher foi o único piloto a ter acidentes simultaneamente com Ayrton Senna (França/92) e Bruno Senna (Espanha/12).

Logo na primeira corrida (Austrália/10), Schumacher passou cerca de 20 voltas atrás de Jaime Alguersuari, um jovem da Toro Rosso nascido em Março de 1990. Aquele seu adversário tinha 1 ano e meio quando Schumacher se estreou em Spa-Francorchamps, com a Jordan. Foi uma luta surreal, e o mais velho acabou por passar e conquistar 1 ponto. 

Expectativas exageradas

O erro de Schumacher foi na sua própria abordagem a esta aventura. Ele próprio declarou, em 2010, que vinha para obter vitórias e ser campeão. Deveria ter afirmado o inverso: que continuava cheio de vontade de competir, que não podia recusar o convite da Mercedes que o patrocinou no início da carreira, que pretendia ajudar a Mercedes a vencer, e deixando no ar a hipótese de ser ele em vez de Rosberg. Com este cenário, as expectativas do público ter-se-iam concentrado menos no resultado absoluto de Schumacher e mais naquilo que ele estava a conseguir fazer depois dos 40 anos.

Considera-se que foi um período de decadência para o alemão, mas curiosamente 2012 foi o ano em que o Hepta melhor se comparou com Rosberg. Foi nesse ano que marcou o melhor tempo na qualificação no Mónaco e por várias vezes andou muito perto do colega. É como se estivesse a progredir ao longo desses 3 anos, e não a piorar. E quanto à famosa 'batida' na traseira de Jean-Eric Vergne em Singapura, a verdade é que são coisas que acontecem: a Alonso (Austrália/16), a Verstappen (Mónaco/15), e até a Senna (Austrália/92).

Só Barrichello (3 anos mais novo) acompanhou o alemão nesta viagem no tempo. Mas Schumacher ainda ficou para 2012, uma temporada a mais que o brasileiro.

Schumacher, campeão dos quarentões

Os pilotos com mais de 40 anos que correram nos últimos 25 anos são Philippe Alliot, Nigel Mansell e Pedro de la Rosa. O espanhol, "quarentão", fez uma última época discreta na já defunta equipa HRT. Mansell venceu 1 GP no seu regresso à F1 em 1994, mas foi claramente batido por Damon Hill, tanto que Frank Williams não o conservou para 1995; o "Leão" foi então para a McLaren, onde terminou embaraçosamente a sua carreira após 2 GP. Quanto a Alliot, já ninguém se recorda da sua corrida em substituição do penalizado Hakkinen (Hungria/94.)

Ao pé destes resultados, as 3 temporadas de Schumacher ao lado de Rosberg são absolutamente esmagadoras e provam o super-atleta que ele continuou a ser. O heptacampeão manteve-se num nível competitivo extraordinário para a sua idade. E o facto de a Sauber ter estado interessada nele para 2013 é uma prova disso.

O problema foi que todos esperávamos ver em 2012 o Schumacher de 1998 - inclusive ele próprio. O Schumacher desta década deve, em vez disso, ser encarado como um "sideshow", um espectáculo dentro do espectáculo. #Automobilismo