A zona euro volta a ter nuvens cinzentas no horizonte, com o regresso da recessão. Os professores Joseph Stiglitz e Peter Diamond, vencedores do Prémio Nobel da Economia em 2001 e 2010, respectivamente, recomendam uma estratégia diferente aos governos europeus. E o prof. Christopher Sims, especialista em política monetária, deixa um alerta aos países do sul da Europa, nomeadamente a Portugal. É conveniente estarmos preparados para sair do Euro, em caso de força maior.



Num encontro de premiados Nobel, decorrido junto ao lago Constança, na Suíça, estes reputados economistas de nível mundial voltaram a lembrar os perigos e as dificuldades que a zona euro tem imposto aos seus estados-membros em geral.

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Referindo-se ao conjunto da zona, Diamond lembrou que a aplicação de estímulos estatais à economia é mais necessária em período de recessão. Referindo-se explicitamente às gerações de jovens de Espanha e Itália, num cenário que pode ser estendido a Portugal e Grécia, Diamond recordou também que o problema do desemprego que "apanhou" estes jovens no início do seu percurso profissional vai afectá-los durante décadas. Diamond sente-se também surpreendido pela relativa complacência com que estas políticas destrutivas foram acolhidas nos últimos anos.



Já o professor Stiglitz apontou as continuadas medidas de austeridade como responsáveis pelo novo abrandamento nas principais economias da zona euro, registado no primeiro semestre deste ano. A França registou crescimento zero, enquanto a Itália e a própria Alemanha entraram novamente em recessão.

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Stiglizt refere também que o caminho da austeridade não está a produzir resultados, e que os governos europeus deviam repensar a sua estratégia antes que ocorram tensões geopolíticas. #Negócios



O professor Christopher Sims deixou uma recomendação aos países da Europa do Sul, referindo-se a "Portugal, Grécia e talvez até Espanha", sobre a necessidade de preparar um plano de contingência caso seja necessário abandonar a moeda única. Sims está consciente que um default seria muito difícil para estes países. Mas continuar agregado a uma moeda em que, "quando se é atingido por um choque (de subidas de juros, como se viu em 2010-2011), a única coisa que acontece é o choque tornar-se pior", é igualmente inconcebível.