O preço da gasolina e do gasóleo tornou a baixar, no dia de ontem, atingindo mínimos de 7 meses. Com a descida de 1 cêntimo no preço médio de cada combustível, o preço médio é agora de 1,53€/lt para a gasolina e 1,29€/lt para o gasóleo. Acredita-se que a quebra no preço do barril de crude (da qual decorre, como sempre, o preço do combustível) está relacionada com as perspectivas mais pessimistas relativamente ao consumo por parte da China, o segundo maior consumidor mundial - e a caminho de se tornar o primeiro.


O preço dos combustíveis tem sido um dos principais factores de condicionamento das economias europeias. No Verão de 2008, poucas semanas antes da falência do Lehman Brothers (ocorrida a 15 de Setembro), a subida em flecha do preço do barril de petróleo causou agitação na Europa. Em Portugal, a greve dos camionistas causou receios de que, em poucos dias, os supermercados poderiam ficar vazios e a economia paralisar totalmente - um cenário de nervosismo social que, curiosamente, nunca se verificou enquanto a Troika esteve no nosso país, durante o programa de ajustamento, entre 2011 e 2014. Só a interrupção concertada dos governos europeus - ou simplesmente a sorte - permitiu evitar uma crise política grave. Mas o certo é que o preço dos 100 dólares por barril, o chamado "preço psicológico" que nunca deveria ser atingido, tornou-se comum desde 2011. Os portugueses deixaram de fazer a comparação com o preço que pagam pela gasolina relativamente aos espanhóis, porque sabem que em toda a Europa terminaram os tempos da gasolina barata (anos 80 e 90) e não há perspectivas para o seu regresso. A descida de preço é uma boa notícia, mas mais que isso é a estabilização do preço (no longo prazo) que veio desligar os portugueses desta questão, habituados simplesmente a pagar muito mais por quilómetro.
As alternativas tardam em arrancar. O veículo eléctrico ainda será demasiado caro para ser rentável, ainda que a Fórmula E venha ajudar à sua divulgação. E o GPL depara-se ainda com o custo de instalação mais os preconceitos associados (perigo, falta de potência, etc.) Seja de bicicleta, de transporte público ou carpooling/carro partilhado, será bom que os portugueses usem a criatividade e evitem aumentar os gastos de combustível, agora que se nota uma tímida e hesitante recuperação económica.
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