As marcas brancas, marcas dos próprios supermercados onde são vendidas, estão a vender-se menos, numa tendência que se verifica desde 2012. Um estudo da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição revela que a quota após o primeiro semestre de 2014 é de 36,2%, com uma queda de 2% em relação ao mesmo período de 2013. Naturalmente, dividindo o mercado em marcas brancas e marcas de fabricantes, estas sobem 2%, de 61,2% para 63,2%.

Depois de vários anos de subida no mercado, e progressiva aceitação das marcas brancas junto de um público cada vez maior, e do posicionamento das marcas "antigas" em segmentos de alta qualidade (e preço maior), parece que finalmente a marca branca poderá ter atingido o seu tecto máximo.

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Parece estranho, em tempos que continuam a ser de crise e tendo em conta que o preço será o factor mais decisivo nas compras.

As grandes marcas apontam a redução de preço conseguida através de promoções e descontos, mesmo o simples "pague 1 e leve 2". Citado pelo Público, o director-geral da Centromarca, Pedro Pimentel, refere que as empresas acabariam por ter de adaptar a sua oferta à procura. Além disso, os supermercados fizeram mais promoções em produtos de fabricantes, uma vez que a redução do preço é suportada pelo fabricante e não pelo supermercado.

Pimentel refere também que as marcas da distribuição tiveram uma grande subida em Portugal, ao contrário do que aconteceu nos países europeus, o que obrigou a uma resposta activa dos fabricantes. Pimentel não refere se nos outros países da Europa do Sul, como a Espanha ou a Grécia, as marcas de distribuição tiveram um comportamente semelhante.

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Contudo, é de esperar que em países com menor poder de compra o consumidor se guie mais pelo preço.

Já a directora-geral da APED, Ana Isabel Morais, refere a tendência inversa: uma evolução das marcas brancas no sentido de mais associação a um conceito de qualidade. A divisão efectuada pelo Continente entre as marcas "Continente" e "É" é um exemplo.

O Blasting News entrevistou a sra. Pinto, compradora habitual de marcas brancas, utilizadora de cupões de desconto em vários supermercados e leitora dos principais blogues portugueses de compras com desconto. Questionada sobre as marcas brancas e a importância do preço nas compras feitas pelos portugueses, a sra. Pinto afirmou que "o preço não parece ser assim tão decisivo, uma vez que, apesar da crise, é visível os pequenos hábitos de consumo como o passeio ao shopping ou tomar o pequeno-almoço no café se mantêm. Além disso, os cupões de desconto são no geral subaproveitados. A comunidade de pessoas que faz compras com desconto é reduzida, e isso sente-se na dificuldade que têm as caixas em lidar com um cliente com descontos, que é encarado como um caso raro e difícil." #Negócios

Confrontada com o estudo da APED sobre a queda das marcas brancas, a sra. Pinto concorda e refere também que não sente que as pessoas adiram tanto aos cupões: "seja porque preferem as marcas, ou porque não sentem a necessidade de fazer contas e procurar a compra mais económica. A crise parece passar ao lado de muita gente."