Foi conhecida, no final da semana, a intenção de Vítor Bento de deixar a administração do Novo Banco, lugar que ocupava há cerca de 2 meses, antes ainda da transformação do antigo BES em Novo Banco (e num Banco Mau que desapareceu dos headlines das notícias.) O novo administrador chama-se Eduardo Stock da Cunha e o seu principal objectivo está em linha com o que o governo e o Banco de Portugal pretendem e recomendaram, mais que uma vez: a venda do banco.

A saída de Vítor Bento havia sido adivinhada por alguns comentadores, dada a intenção da nova administração de encetar um plano de recuperação sustentada, contrariamente ao que se adivinhava serem as intenções dos reguladores e das autoridades, de venda do banco.

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Como habitualmente, é ao fim de semana - dias em que os bancos e a actividade financeira em geral se encontra encerrada para descanso e/ou balanço - que surgem as grandes decisões.

Com uma carreira académica solidamente reconhecida e sem perfil de político, não seria de esperar outra postura de Vítor Bento a partir do momento em que sentiu que o seu papel e as suas ideias não eram exactamente as que se esperavam. Assim, é facilmente compreensível a sua noção de "dever patriótico", que anunciou mais que uma vez durante este período à frente do antigo BES.

Eduardo Stock da Cunha (cujo apelido estrangeiro, da parte da mãe, é de origem judaico-alemã) tem 51 anos e uma longa experiência na área financeira. Esteve no Santander Totta, no Santander Bank (nos Estados Unidos da América) e era, desde Abril, director de auditoria no Lloyds, em Londres, a convite do famoso génio português da banca António Horta Osório.

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Stock da Cunha escolheu pessoalmente os membros da sua equipa, com Jorge Cardoso para CFO (administrador financeiro), que vem directamente da Caixa Geral de Depósitos. Para o conselho de administração, Stock traz ainda José João Guilherme e Vítor Fernandes, ambos tendo já desempenhado funções similares: Fernandes no MilleniumBCP (ao tempo da administração de Carlos Santos Ferreira) e Guilherme no Banco Internacional de Moçambique (BIM). #Negócios

Naturalmente, a nova administração Stock da Cunha vem para cumprir o plano definido pelo Banco de Portugal, enunciado da seguinte forma: que "num prazo tão curto quanto razoavelmente exequível, o Novo Banco passe a contar com uma estrutura accionista estável e que garanta o desenvolvimento de um projecto criador de valor", ou seja, que seja vendido rapidamente.