A transportadora aérea francesa Air France estimou em cerca de 500 milhões de euros os prejuízos causados pela greve dos pilotos, que se prolongou por quase toda a segunda quinzena de Setembro. Os números foram apresentados pelo director financeiro da empresa, Pierre-François Riolacci, que tem em conta o prejuízo directo e os prejuízos indirectos, causados na reputação da empresa. É certo que, ainda que os problemas estejam resolvidos por agora, será considerável o número de passageiros que, no futuro, optarão por outras companhias na sequência desta greve e com o receio de futuros atrasos ou complicações.

A greve na Air France foi a maior na história da companhia desde 1998 e teve como causa directa os planos da administração para expandir as actividades da operadora low-cost Transavia, pertencente ao grupo. Pierre-François Riolacci aponta para um prejuízo directo entre 320 a 350 milhões de euros, atribuindo o restante aos prejuízos futuros pela diminuição e fuga de passageiros para a concorrência. Além da diminuição dos voos, os prejuízos explicam-se pelas compensações aos passageiros e pela compra de bilhetes a outras companhias - mesmo tendo em conta as poupanças de combustível, estando os aviões parados. O tráfego de passageiros teve uma quebra de quase 16 por centro e as acções da Air France atingiram um valor mínimo no espaço de 13 meses. Mesmo assim, para o último trimestre, as vendas de bilhetes tiveram uma queda de apenas dois por centro da capacidade de voo (dos habituais 30 para 28), mas o suficiente para causar uma forte diminuição nos lucros.

Os danos causados na reputação da companhia e a forte concorrência das companhias aéreas low-cost (como a Ryanair, que tem planos para expandir as suas operações na próxima década) podem contribuir para afastar mais passageiros da Air France, pondo em risco os postos de trabalhos que os pilotos visaram defender com esta greve. Ao contrário das companhias aéreas low-cost, as companhias tradicionais estão com dificuldade em conquistar mercados ou manter uma tendência de crescimento. #Negócios