A DECO (Defesa do Consumidor) calculou em 244 milhões de euros o valor de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) cobrado pela Direcção-Geral de Contribuições e Impostos em excesso durante o ano de 2013. No âmbito da iniciativa "Pague Menos IMI", o porta-voz da associação, Joaquim Rodrigues da Silva, explicou que o simulador da DECO calculou um valor médio de 18,75% de imposto que poderia ser poupado com a aplicação justa da lei.

A DECO recomenda aos proprietários que, depois de utilizarem o simulador online, se desloquem ao seu serviço de Finanças local no sentido de solicitarem a reavaliação do seu imóvel, para que a descida do valor seja já reflectida no valor a pagar em 2015, recordando que só o poderão fazer se a última avaliação tiver sido feita há pelo menos três anos.

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As Finanças replicaram, em comunicado, informando que a actualização do valor dos imóveis é feita de três em três anos e acrescentando que é possível pedir uma revisão desses valores, gratuitamente, no simulador online também existente no Portal das Finanças.

O Blasting News falou com Natércia Oliveira, cidadã proprietária de um imóvel para habitação própria, que expressou a sua indignação. "Eu aceito pagar impostos, mas o IMI é o imposto mais absurdo que há. Tu pagas por aquilo que já pagaste e é teu. Qual é a lógica?" Referindo-se ao facto de o imposto em causa não olhar aos rendimentos do proprietário nem a quaisquer outras considerações, Natércia refere também que "eles não te dão nada, tu pagas tudo e no fim de tudo estar feito, continuas a pagar." Natércia ressalva a injustiça que o imposto encerra: "Tu herdas um terreno ou uma casa dos teus pais, mas quem garante que tu tens o mesmo nível económico que os teus pais tinham? Como é que se garante que uma pessoa tem meios para efectivamente pagar esse imposto de forma justa? Em alternativa, se não tiver e não puder manter, a pessoa tem simplesmente que vender a qualquer preço, para se desfazer do que é seu?"

Natércia concorda ainda com a iniciativa da DECO: "Tal como acontece com as operadoras de telecomunicações, as pessoas só resolvem algo se reclamarem. Caso contrário, aplicam o que podem e o contribuinte pagante é que vê o dinheiro a desaparecer." #Negócios