O grupo chinês Fosun concretizou o controlo da Espírito Santo Saúde, na sequência da OPA apresentada. O preço de 5,01 euros por acção significa uma valorização de cerca de 56% em relação ao valor de negócio registado em Fevereiro, de 3,20 euros. O resultado do negócio tornou-se praticamente certo depois de a Rioforte e a Espírito Santo Healthcare terem anunciado que iriam ceder a sua posição à Fosun. Para trás ficam os mexicanos do Grupo Ángeles e a José de Mello Saúde. E caso o grupo chinês consiga mais de 90% das acções, existe a possibilidade legal de apresentar uma oferta adicional de compra obrigatória das restantes acções e do desaparecimento da Espírito Santo Saúde do mercado.

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Adicionalmente, a Fosun revelou também que está a ponderar a compra do Novo Banco - certamente uma boa notícia para o CEO Stock da Cunha e para o Governo, que anunciaram a estratégia de pretender vender a instituição rapidamente.

A Fosun é já um parceiro de #Negócios conhecido da economia portuguesa, depois de ter investido na compra de 80% das acões da Caixa Seguros, a seguradora da Caixa Geral de Depósitos. Aquando da concretização deste negócio, no início de 2014, a Fosun havia declarado que Portugal é um mercado altamente atractivo e que a compra da dona da marca Fidelidade se inseria num movimento de estreitamento das relações entre a China e Portugal.

Depois da notícia recente da compra do histórico hotel nova-iorquino Astoria ao grupo Hilton por uma empresa de capital chinês, não é qualquer surpresa a presença de um player deste país nos grandes negócios da finança nacional. Já passou uma década desde a era das OPAs - a falhada OPA da SONAE à PT, as tentativas de compras entre os bancos nacionais, etc., e que terminou pouco depois com a Crise de 2008 e o tempo da Troika. Agora, como muitos comentadores advertem, lançam-se as bases de um novo sistema, eventualmente como nunca se viu desde o 25 de Abril (a nível nacional) e desde os anos 80 e a desregulação de Reagan e Thatcher (a nível internacional). Da parte do Império do Meio, os principais investimentos vieram da China Three Gorges (21,35% do capital da EDP, sendo o maior accionista), a China State Grid (25% da REN) e a Pequim Enterprises Water Group, que adquiriu uma participação na Veolia Portugal.