Os preços do petróleo estão a atingir mínimos de há vários anos, com a Arábia Saudita a aumentar a sua produção de forma sustentada. Curiosamente, isto sucede num momento em que o Médio Oriente - e o futuro político dos principais países produtores - nunca esteve tão instável, com o Estado Islâmico, o conflito civil na Síria, o futuro do Iraque e ainda a Líbia. Há 10 anos, este cenário talvez levasse o preço do barril de petróleo para os 200 dólares - quando se temia a chegada ao preço psicológicos dos 100 dólares, que poucos anos depois se tornou corrente. Neste momento, situa-se nos 90 dólares, com os Sauditas a afirmarem que se sentirão "confortáveis" se o preço baixar até uma janela entre 75 e 80 dólares.

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A teoria, veiculada e reinterpretada por vários analistas internacionais, é que se trata de uma agressão directa da Arábia Saudita ao Irão e à Rússia. Os orçamentos anuais da Rússia e do Irão estão fortemente dependentes de um preço alto do petróleo, e prevêem-se sérias dificuldades no curto prazo a nível económico para ambos os países se o preço do petróleo continuar a descer.

A opinião dos comentadores só diverge, como sempre, relativamente ao posicionamento dos Estados Unidos. Alguns afirmam que esta ofensiva visa também os Estados Unidos, no sentido de impedir um acordo com o Irão sobre a luta com o Estado Islâmico. Mas o comentador norte-americano Thomas Friedman, autor de "O Mundo É Plano" e colunista no New York Times, afirma que esta guerra é do total interesse dos americanos.

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Por um lado, porque o aliado saudita - tal como é interpretado - tem um interesse comum no combate ao regime de Bashar Al-Assad na Síria e porque a crise na Ucrânia necessita uma resposta subtil e firme dos americanos. Por outro lado, segundo Friedman, os próprios Estados Unidos não são atingidos pela baixa de preço, pois aumentaram a sua produção de petróleo em 70% nos últimos 6 anos - um facto geopolítico totalmente ignorado pelos mass media e que está a transformar a política norte-americana. Além de terem reduzido brutalmente as importações e a dependência do exterior, começam a verificar-se os efeitos da introdução de tecnologias de poupança de energia - como o Nest da Google - de modo a que o americano comum consiga, efectivamente, consumir menos energia.

Para a Europa, os analistas são pouco claros. Muitos prevêem uma relação difícil com a Rússia a propósito do fornecimento de gás e a situação na Ucrânia. Mas se o preço do petróleo está a baixar e a Rússia ficar com menos margem de manobra e menos poder negocial, isso só pode favorecer os europeus - e os portugueses irão agradecer, seguramente, o preço da gasolina mais baixo.