A Altice, o grupo multinacional de origem francesa para o sector das telecomunicações, e que é proprietária da operadora Cabovisão, já definiu o valor que vai oferecer pela Portugal Telecom (PT). O montante total é de 7025 milhões de euros e a proposta inclui "todos os interesses da Portugal Telecom fora de África", de acordo com um comunicado da própria empresa. A compra não inclui a dívida da RioForte, a empresa do Grupo Espírito Santo à qual, segundo consta, a PT emprestou 900 milhões de euros, nem os chamados "veículos financeiros" da PT. O valor apontado pela Altice equivale a cerca de 70 vezes o valor pelo qual Cristiano Ronaldo foi comprado pelo Real Madrid.

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Em resultado, as acções da PT subiram mais de 7% ao início da manhã de hoje, atingindo 1,402€.

A notícia surge poucos dias depois de uma entrevista de Dexter Goei, o presidente-executivo da Altice, ter garantido ao Diário Económico que o interesse da multinacional é de longo prazo. O dirigente da multinacional referiu também explicitamente a vontade de não vender os activos, falando de uma discussão actual em torno da venda das torres de telecomunicações móveis. Goei refere que "perder o controlo da infraestrutura é perder o coração do negócio" e que esse não é o objectivo. Da mesma forma, Goei refere que não vai cortar postos de trabalho: "o problema da PT não é excesso de pessoal", e "as despesas com salários da PT são cerca de 9% das vendas, o que está dentro da média na Altice e no sector" foram as asserções do presidente-executivo, que refere até a vontade de criar postos de trabalho em Portugal.

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#Negócios

Relativamente aos consumidores, Goei relembra que a PT não está a alargar a sua rede de fibra óptica no momento actual porque não tem condições de investimento para tal, mas que com a compra pela Altice esse cenário irá mudar. Sobre uma eventual fusão entre as marcas Cabovisão e MEO, Goei não fez comentários uma vez que também não foi questionado pelo Diário Económico sobre essa matéria. O Blasting News não pôde confirmar se os jornalistas do Diário Económico são todos, a título pessoal, clientes de outros operadores que não a Cabovisão e se terá sido esse o motivo para esquecerem esta questão relevante para os consumidores.