Se não há consumo, quem é o iluminado que acredita que tributar o que não existe, rende receitas consideráveis? Se não há consumo, quem é o iluminado que acredita que descendo os impostos sobre as empresas, gera emprego? Não há consumo, não há empresas, não há emprego, não há descontos para os serviços sociais. Há sim o desmoronamento dum sistema e o descalabro económico.

Por outro lado estes iluminados governamentais, formados em panelas de pressão, imbuídos de preconceitos e teorias neoliberais, porque nunca leram Keynes, abandonam o investimento público, para descer despesas, reduzir a dívida externa, diminuir o défice.

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Despedem para descer despesas mas, em contrapartida, subsidiam o ócio, subsidiam a inação, subsidiam a não produção. Atribuem subsídios sociais, não para formação profissional, porque isso seria vergonhoso e mais uma oportunidade somente para alguns. No entanto, por desleixo ou interesse, não controlam esses subsídios por forma a transformar os subsidiados em pessoas de valor, pessoas com ambição, pessoas responsáveis. Dão, para que durmam, vejam telenovelas, vão a Fátima uma vez por ano em autocarros municipais e recebam um faustoso jantar todos os anos em época de Natal. Enfim, alimentam-nos para estarem calados, porque, quem sabe, são barricas de votos em gestação.

O empresário, inteligente, lá vai despedindo, substituindo o operário por um robot. Este não desconta para a segurança social, não reclama aumento de vencimento, não faz greve.

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Enfim é o operário ideal. Cem operários podem ser substituídos por dez robots. Noventa vão para o desemprego, auferindo o respetivo subsídio de desemprego. Os dez que ficaram não conseguem suportar os encargos dos noventa. O empresário paga menos impostos, tem mais lucros, investe mais, engrandece o seu império, contrata consultores, técnicos altamente especializados, nomeia um CEO. Atingiu o patamar que tanto ambicionava: produzir cem vezes mais, com meia dúzia de empregados. Sempre que compra novo robot convida mais um governante para descerrar uma placa alusiva. Todas as instalações estão protegidas com alta segurança, guarda-costas para os técnicos sofisticados, carros blindados anti-pedrada, etc, etc. Deixou de ter colaboradores e compradores, para os substituir por stakeholders.

Enfim, o empresário descobriu que a baixa dos seus impostos, dos seus encargos, levou ao céu da economia. Não precisou de enveredar pela economia paralela para vencer e atingir o seu orgasmo económico. #Governo