Um recente estudo conduzido na Suécia vem alegadamente desmistificar alguns dos benefícios associados ao consumo de leite de vaca por humanos. Antes deste, outros estudos pareciam indicar que esta tão promovida bebida não é assim tão positiva para a saúde quanto se pensava*. Ainda assim, a Coca-Cola decidiu diversificar a sua oferta ao apostar no mercado do leite. No próximo mês, a empresa vai lançar a Fairlife, uma marca de leite aperfeiçoado e enriquecido, que deverá custar o dobro do leite já comercializado no mercado.

A justificar o preço está o facto deste leite premium ser filtrado através de um processo especial, que permite que não tenha lactose, que tenha menos 30% de açúcar do que as marcas convencionais, e que lhe seja adicionado mais 50% de proteínas e ainda 30% de cálcio.

Publicidade
Publicidade

Há ainda garantias de que saiba melhor do que outros tipos de leite.

A multinacional com 125 anos de experiência no sector dos refrigerantes, bebidas energéticas e até água, investiu numa campanha publicitária que tem sido criticada nas redes sociais, já que mostra mulheres "vestidas" com leite junto a frases que associam o consumo da bebida à beleza exterior e até a um status privilegiado. Mas na conferência de apresentação do produto, o director do departamento de comércio global da Coca-Cola, Sandy Douglas, afirmou que espera que a nova marca "faça chover dinheiro".

O produto deverá ser lançado apenas nos Estados Unidos, por enquanto. Não há informações sobre a sua comercialização em Portugal, por exemplo. Mas enquanto espera por novidades, poderá entreter-se com os diversos vídeos publicados na internet que mostram o que acontece quando leite é misturado com a bebida Coca-Cola, experiências que têm atraído milhares de visualizações e que por coincidência vaticinavam o futuro da empresa responsável por uma das bebidas mais conhecidas do mundo.

Publicidade

*Será o leite assim tão saudável?

A empresa Muufri, criada por dois engenheiros na Califórnia, Estados Unidos, lançou a sua intenção de produzir leite sintético em laboratório através de um processo mais sustentável e sem a necessidade de quintas de gado. Apesar desta e de outras empresas como a Coca-Cola investirem ainda na produção de leite, têm havido cada vez mais indícios de que o seu consumo pode ser prejudicial para a saúde.

A investigação há pouco tempo divulgada na publicação britânica BMJ com os dados obtidos por especialistas suecos, demonstra que a lactose e a galactose (um tipo de açúcar) presentes no leite podem contribuir, não para prevenir fracturas ósseas (uma das vantagens que até agora tinham vindo a ser associadas a esta bebida), mas para aumentar o risco de mortalidade. "As mulheres que bebiam três ou mais copos [de leite] por dia tiveram um risco 90% maior de morte, 60% maior de fracturas da bacia e 15% de risco em relação a outro tipo de fracturas, quando comparado com aquelas que ingeriam menos de um copo por dia", afirmaram os investigadores, citados pelo Diário Digital.

Publicidade

A fama do leite tem estado em declínio com este e outros estudos. Embora não sejam totalmente conclusivos, seria de esperar que as empresas como a Coca-Cola, que têm visto o consumo de refrigerantes e sumos cair com investigações que demonstram os malefícios do excessivo açúcar presente nesses produtos, esperassem por novas e mais determinantes conclusões sobre o leite antes de se lançarem nesse território com uma marca premium mais cara e possivelmente com componentes cuja segurança ainda não está comprovada. #Culinária