O empresário ao investir em sistemas financeiros complexos, que nem ele sabe o que são e como funcionam, mas dão juros altos e imediatos, possibilita viagens a Wall Street, hospedagem em hotéis de luxo, com acompanhantes a condizer e reuniões constantes para aprender a ler gráficos. Se verdadeiros ou falsos, não interessa, as receitas dos juros caiem religiosamente. Umas tramoias dos inteligentes escondidos atrás de uns computadores, instalados em Wall Street, sem rosto sem identificação, sem coração e com residência escondida nos paraísos fiscais. Alguns até em plataformas flutuantes, fora das regiões económicas, onde nada faltará. Se reconhecidos, uma simples cirurgia plástica lhes mudará a existência e controlam os sonhos dos investidores.

Publicidade
Publicidade

Se correr mal, por acidente ou intencional, começa a queda do dominó. Eles, ninguém os conhece.

Aparecem, acidentalmente, malas cheias de milhões de dólares. Serão todos eles vencedores do euromilhões? Escasseiam os dinheiros no investimento, na subsistência. Nos sistemas sociais, sendo muitos a receber subsídios, faltando o dinheiro, deixaram de consumir. O empresário não tem onde colocar os seus produtos, mas os altos quadros e os CEO's querem mais, muito mais. O pária quando é acometido de bulimia, não pára, não tem recuo. O empresário pensa em vender património para liquidar dívidas, mas ninguém compra, não há capacidade económica. Resta-lhe fechar, emigrar, trabalhar como empregado de outro colega empresário. Vai recolher os seus investimentos, mas também aí, o sistema está à beira do colapso ou já faliu.

Publicidade

Chegou tarde, assumiu riscos que não conhecia, perdeu tudo.

Onde estão os stakehoders? A bater à porta para cobrar dívidas, para pedir dinheiro emprestado ou simplesmente ameaçando. Os stakeholders de gravata foram substituídos pelos homens do fraque. Justiça, qual justiça? Foi tudo legal, não houve vigarices, tudo é negócio. Até os sentimentos são compráveis, haja dinheiro. Resta fugir, para onde? Suicidando-se porque no cemitério ninguém os acusará de nada e ninguém lhe pedirá responsabilidades.

Desconhecem que ao entrar no patamar superior, encontrarão os seus melhores empregados, seus grandes amigos de antigamente, que morreram de fome, de falta de dinheiro por não conseguirem curar doenças e também de suicídios por vergonha de não conseguirem cumprir os compromissos e de não conseguirem alimentar a família. Irão conversar sobre a evolução da desgraça cá em baixo, vêm as suas casas serem vendidas aos investidores estrangeiros, com dinheiro ganho de modo duvidoso senão criminoso, fechadas com muros altíssimos, transformadas em bunkers de ócio e orgias de toda a espécie. Choram, mas as lágrimas chegam tarde e nada resolvem. #Negócios