O golpe inteligente para cativar investimento estrangeiro foi atrair compradores para o património, acima de valores normais que, devido às falências, penhoras ou simples crise, desabou no mercado imobiliário para venda. Essas mansões não necessitam de acessos, não acrescentam nada na economia. Enfim, nada geram em termos de desenvolvimento económico. Os novos investimentos/proprietários entram e saem de helicóptero ou em veículos blindados, compram os produtos necessários nos paraísos donde vêm. O escritório com os seus CEOs, tanto estarão em Pequim, como em Moscovo, em Luanda ou até em Wall Street. Se confrontados com pagamento de IMI, contratam os seus advogados, inserem o património em fundos de investimento e estarão isentos.

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Se acossados com impostos, recorrem aos fundos de turismo rural, ou descobrem, qual varinha mágica, a integração das suas novas mansões em património de interesse municipal. Depois ficará somente a "chatice" de dar unas jantares periodicamente ao presidente da câmara, não vá ele retirar o interesse municipal e arregimentar uns amigos, passando umas facturas falsas para justificar o turismo rural. Os empresários que ainda acreditam procuram novos mercados, também eles a emigrar, sendo recebidos e acompanhados por governantes com fanfarras e ranchos de apoiantes, munidos de blocos de apontamentos, fazendo relatórios minuciosos de prováveis cestas de notas para comprar votos em futuras campanhas eleitorais.

Há panóplias de gabinetes de prometedores de esperança, de fazedores de empreendedorismo, de start-ups promissoras, de incubadoras de empresas.

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Eles, empresários ainda honestos, veem sem poder interferir os novos vendedores da banha da cobra que sabem produzir tudo. Não vislumbram quem irá consumir tudo o que é prometido e conseguido. Sem dinheiro, sem povo, nada se compra nada se consome. Esses empresários sabem e fingem desconhecer que com festas e bolos se enganam os tolos. Sabem que com fanfarras e porcos no espeto se conquistam eleições. Não para eles serem eleitos, mas para eleger meninos telecomandados que tanto jeito fazem em alturas de crise ou aflição. Dão-lhe telemóveis com números directos, para contacto permanente, porque cá como lá os governantes são sempre amigos e apoiam-se qual seitas de auto-protecção.

Ouviram dizer na comunicação social que é necessário recorrer ao "moedas"? Ficam confusos, não seria antes recolher moedas? Veem, nada podem fazer, nada podem dizer, nada podem influenciar. Será a ilha de Páscoa, será esse povo os Rapa-Nui ou será o último moicano. E o povo? Qual Povo? É o povo pá. Até deu origem a intervenções, a canção para o eurofestival, mas abanadas umas guloseimas, uns doces, uns prémios, muda-se o poder, acabam as canções e as contestações.

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Agora o povo existe. Mas não pensa. Não decide. Acabrunhou-se. Morreu.

Solução, utopia ou simples loucura: Acreditar numa economia social, onde o consumo, os lucros e o património, e somente estes, sejam tributados. Com uma redistribuição equitativa das receitas arrecadadas, seria fácil estabelecer o verdadeiro sistema social. Os robots, não descontam porque não precisam de segurança no futuro, quando enferrujados são substituídos e deitados ao lixo. Os stakeholders substituídos pelo produtor e pelo consumidor. Acreditar no equilíbrio de Pareto, esquecer os computadores sem rosto, substituindo-os pela justiça e pela transparência.

Resumindo: Infelizmente o ser humano, antes de ser enferrujado, já está ele próprio a caminho do lixo, por falta de esperança, abandonado e também porque no lixo pode restar algo que lhe mate a fome. Lixo ao lixo, fome à fome. #Governo