Stéphane Carcillo, economista sénior na OCDE, esteve recentemente em Portugal numa conferência sobre o emprego jovem. Foram aqui apresentados alguns pontos sobre a atual situação económica mundial e a sua direta influência no mercado de trabalho para os jovens que, segundo Carcillo, são quem maior número de dificuldades irá sentir para se integrar. Para o economista, contratar jovens a termo não é a solução para baixar o desemprego. Muitos dos jovens contratados a termo nunca conseguem obter um contrato permanente, o que faz com que a sua rotatividade entre o emprego e desemprego seja excessiva. O início de carreira para este nicho da população ativa torna-se fracionado.

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É de conhecimento geral que uma carreira fracionada não é vista como mais-valia empresarial no ato da contratação. Para além de dificultar a obtenção de um novo trabalho, traz também desmotivação ao trabalhador que apenas encontra obstáculos no lugar de ter soluções para sua situação precária. Segundo Carcillo, esta situação tende a melhorar nos próximos anos. No entanto os jovens vão-se sujeitar a aceitar ofertas de trabalho com valores bem mais baixos do que numa situação dita normal, principalmente para os jovens que passem longos períodos sem emprego. Não será uma situação eterna, mas é bem provável que durante sensivelmente dez anos os seus salários não sejam os adequados às funções e conhecimentos adquiridos. Mais dramática será a situação de trabalhadores jovens que não tenham adquirido competências (estudos), pois o mercado de trabalho irá ficar bem mais agressivo do que o vivido até aos dias de hoje.

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Como forma de ultrapassar ou minimizar efeitos negativos, o economista aponta para a interligação entre as escolas e as empresas. Seria importante que os jovens tivessem desde cedo uma relação com os seus possíveis empregadores, o que aumentaria assim a probabilidade de conseguirem ficar com esse mesmo emprego. Para além disso, mesmo que acabem por não continuar a desempenhar essas funções, ganham experiência no seu currículo, que é bastante importante na hora de procurar um novo trabalho. Este tipo de introdução dos jovens no mercado de trabalho é designado como "aprendizagem dual" e tem vindo a ser implementada em alguns países europeus para que os jovens se integrem mais facilmente e ganhem experiência de trabalho.

Analisando as indicações passadas pelo economista da OCDE, verificamos que uma vez mais Portugal se encontra desenquadrado nas medidas que tenta implementar para combater o desemprego nos jovens e o seu enquadramento no mercado de trabalho. Portugal continua a viver do trabalho precário (contratos temporários, contratos a termo, etc.) que nada ajudam na evolução da economia.