No decorrer da comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, comissão esta em que durante quatro meses serão ouvidas 130 personalidades, serão apuradas várias questões, nomeadamente: O que falhou na supervisão dos reguladores? A medida de resolução foi a melhor? Até que ponto a família Espírito Santo é culpada de gestão danosa? Qual é o verdadeiro papel de Angola neste caso? Como cidadão, espero que os vários partidos políticos que compõem a Comissão saibam pôr de parte as respetivas cores políticas e possam centrar-se no que é verdadeiramente importante. Até à data, e depois de tantas e prolíferas notícias, parecem-me mais interessados em fazer sangue e usar este caso para atacar os adversários políticos, do que em resolver um problema que afeta direta e indiretamente todos os portugueses.

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Mas analisemos por partes: Em primeiro lugar o que é que falhou e porquê? Será a culpa do BdP? Será que o BdP tem poderes suficientes para fazer o papel de regulador? Se tem, algo está errado e os responsáveis devem ser identificados e responsabilizados. Mas e se não tem? Talvez esteja na altura de rever de forma séria e eficaz a legislação, para que casos destes não se repitam. Não podemos esquecer que num passado ainda bastante recente tivemos o Caso BPN, do qual ainda estamos a pagar a fatura.

Em segundo lugar, terá sido esta a melhor solução para o BES? Em 2008 nacionalizamos o BPN que mais tarde, em 2011 seria vendido ao BIC por 43 milhões. Em 2013 o Estado Português já tinha injetado no BPN 3,4 mil milhões, valor que ainda não parou de subir e não sei se tem fim à vista…Não sou economista, mas isto é sem dúvida um péssimo negócio.

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Por isso, e até à data, considero a solução adotada para o BES preferível. Se será a melhor? É uma questão a que apenas o futuro e a história poderão responder.

Em terceiro lugar e tendo em conta as notícias que têm vindo a lume, já não restam dúvidas de que tenha havido gestão danosa no BES; resta perceber o que leva a que um império com a dimensão nacional e internacional do BES chegue a este ponto.

Com tudo isto chego ao 4º ponto: Qual é o verdadeiro papel de Angola em todo este processo? Segundo é dado a entender, toda esta situação começa com a exposição do BES ao BESA; são 5,7 mil milhões que desaparecem do BES Angola sem deixar rasto…dinheiro que resolvia todas as imparidades do BES. É o caso das investigações a empresários e governantes angolanos, condenados pelo governo angolano e que leva a que o Ministro dos Negócios Estrangeiros português peça desculpa ao governo angolano! Isto tem cabimento? Portugal já não tem soberania para investigar fraudes que lesam o Estado Português? O mesmo estado angolano que retira a garantia dada ao BES pelos milhares de milhões injetados no BESA e que agora, através dos seus empresários e do capital que detêm no BPI, se propõe comprar o "BES Bom" (Novo Banco), deixando os ativos tóxicos no "BES Mau".

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Pessoalmente, e como português, sinto-me defraudado e assaltado pelo Estado angolano. Assim como lamento ver um império português como o BES ser desmembrado e vendido a retalho. Esta é a quarta questão que eu espero ver respondida. É a questão de 5 mil milhões de Euros. #Educação #Bancos