O petróleo é há muito conhecido como o ouro negro ou o bem mais precioso da actualidade para a actual civilização. É também de conhecimento geral que muitas foram as guerras desencadeadas (pelos EUA) para que fossem controlados países chave na produção deste bem tão precioso. Estamos neste momento a assistir ao culminar desse processo e todas as economias mundiais que se sustentavam na exportação do petróleo começam agora a sentir dificuldades após quebras constantes no seu preço. Mas muitas outras economias vão ser afectadas para além da Rússia e Angola, que já apresentam sinais de alarme.

De acordo com a consultora britânica Capital Economics, a constante queda do preço do petróleo irá fazer com que Angola tenha um défice de 14% e no próximo ano entrará em recessão na ordem dos 2%.

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A consultora afirma que "A queda nos preços do petróleo nos últimos meses faz-nos esperar que o crescimento na Nigéria e no Gana fique em dificuldades, e que Angola deslize para uma recessão em 2015" e, como tal, o défice das contas públicas angolanas irá disparar para os 14%, que é praticamente o dobro dos 7,6% previstos pelo governo. Para além dos bloqueios ao nível do crescimento económico provocados por esta situação nos países referidos, é muito provável que também "as moedas fiquem pressionadas, a inflação se mantenha alta e as taxas de juro sejam aumentadas". Angola está a tentar diversificar a sua economia, criando infraestruturas que possibilitem diminuir a dependência orçamental das receitas do petróleo, mas por enquanto esta continua a ser a sua maior fonte de receita, sendo que em 2013 chegou aos 73%.

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O Banco Central da Rússia também já se tinha feito ouvir indicando que a economia do seu país pode vir a recuar entre 4% e 5% em 2015, se os preços do petróleo se mantiverem nos valores actuais. Nos últimos dias a moeda russa tem estado em queda permanente e para tentar impulsionar novamente o rublo, a Rússia venderá moeda estrangeira dos seus cofres. Estima-se que estejam já preparados sete mil milhões de dólares para ser vendidos para o mercado e tentar assim parar a queda do rublo.

Sendo uma falha grave mas quase impossível de reverter, muitos países continuam a ter como a sua principal fonte de receita a exportação de petróleo. Desta feita, parece que finalmente os EUA conseguiram apanhar desprevenidos alguns dos seus principais rivais económicos. O domínio político que exercem sobre alguns dos maiores produtores de petróleo e rotas de distribuição do mesmo está finalmente a ter efeitos positivos para a economia dos EUA, que manipulam há vários anos o preço deste recurso natural nos mercados internacionais.

Coincidência ou não, Angola, Rússia e Venezuela (que será o próximo a ter problemas com esta situação) são rivais económicos e políticos dos EUA. #Negócios