O Banco Central Europeu (BCE) poderá financiar diretamente a economia no próximo ano. A revelação foi feita por Mario Draghi, presidente do BCE, que, pela primeira vez admitiu o que tecnicamente se denomina como «quantitative easing», ou seja, programas de alívio monetário, adianta o "Dinheiro Vivo". Isto significa, na prática, que o BCE, à imagem do que habitualmente faz a Reserva Federal Norte-americana (FED), poderá começar a fabricar moeda e a injetá-la directamente nas economias da zona euro. Esta medida do BCE está a dividir os europeus, nomeadamente os países do sul e do norte.

A medida, defendida há muito por alguns quadrantes económicos e políticos europeus e ferozmente criticada por outros, implica o financiamento de empresas, #Bancos, governos e até de famílias por parte do BCE.

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Este financiamento não teria quaisquer custos para os beneficiários, já que seria efetuado à base de impressão de moeda nova. Trata-se de uma iniciativa de choque e que visa tentar acabar de vez com a crise económica na Europa, sobretudo no que se refere à inflação. Considerada por muitos como uma medida de último recurso, o financiamento direto do BCE poderá mesmo ter início já em 2015, como admitiu o próprio Mario Draghi. Segundo o «Dinheiro Vivo», o presidente do BCE está convencido de que se trata de «uma medida totalmente legal».

Draghi avisa que não precisa do apoio de todos os governadores

No entanto, alguns países do centro e norte da Europa são manifestamente contra esta política. A Alemanha, por exemplo, considera ilegal este tipo de medidas. Recorde-se que, a serem colocadas em prática, estas iniciativas fariam com que os ativos tóxicos dos bancos, das empresas e dos governos passassem para o BCE, o que daria origem à mutualização das dívidas de alguns dos países mais pequenos da União Europeia, nomeadamente Portugal e Grécia.

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Mario Draghi adiantou ainda que este tipo de iniciativas não necessita da aprovação de todos os governadores, numa espécie de mensagem de aviso ao banco central alemão. «Não precisamos de unanimidade» para levar a cabo medidas deste tipo, avisou Draghi em conferência de imprensa. Refira-se a propósito que o BCE é o único organismo emissor de moeda da União Europeia.