Comércio e saldos são dois temas indissociáveis, seja na ótica do comerciante, seja na do consumidor. Uns e outros encaram os saldos como uma espécie de "salvação do ano". No entanto, tal poderia ser analisado numa outra perspetiva. Ou seja, como utilizar as dinâmicas incutidas nas épocas de saldos e torná-las extensíveis a outras datas? A "nova lei dos saldos" em Portugal, por exemplo, e por via indireta, parece poder abrir algumas perspetivas nesse sentido.

Alguma imaginação, mobilização dos empresários quanto baste e vontade suficiente podem ajudar a delinear um caminho possível. Imagine-se uma rua densamente povoada de comércio com mais de uma centena de lojas. Em Portugal ainda há muitas! Imagine-se que os comerciantes se organizam e cooperam para um projecto comum. Ainda é possível. Imagine-se que a ideia-base é que a rua esteja o ano inteiro (excluindo Dezembro, claro) em "clima" de saldos? Ponderem-se as vantagens. Imagine-se mais de 100 lojas que, de forma concertada, recorrem à prática dos saldos, estipulando uma "escala" para o efeito (loja, ramo de actividade, mês), de modo a que durante todo o ano se consiga que o maior número possível de lojas esteja em saldos. Não será impossível chegar a acordo.

Imagine-se uma rua que consegue ter, todo o ano, um número relevante das suas lojas em saldos.

Publicidade
Publicidade

É só gerir a situação. A ironia, ou talvez não, do novo enquadramento legal é que poder-se-á vir a constituir como uma potencial oportunidade de poder fomentar a atractividade comercial das nossas cidades, desde que para tal haja vontade, se mobilizem as mesmas e não se caia, de novo, na … crítica fácil. Creio que a preocupação da nova lei teve, certamente, como principal pano de fundo, o comércio de proximidade e o seu papel ao nível da regeneração urbana das nossas cidades. Tudo o mais que se possa apontar à ideia concebida serão meras ironias, oportunidades perdidas, ameaças sem razão! O que o nosso comércio necessita é, mesmo, de leis! Tudo o resto são … moinhos de vento! #Negócios