A embaixada portuguesa na China emitiu cerca de 4200 vistos a cidadãos chineses, com um aumento de cerca de 60%, já tendo ultrapassado em Agosto mais do que o total do ano passado. Este aumento deve-se a várias áreas de interesse, seja a educação, o investimento ou o turismo. A imagem do chinês em Portugal como o gerente de um restaurante ou de uma loja do "chinês" poderá assim, em breve, ser alterada.

 Os vistos Gold, concedidos a quem invista em Portugal (1 milhão de euros num conta bancária, 500.000 euros em imobiliário ou com 10 postos de trabalho), facilitam a vinda dos grandes investidores. Essa política tem contribuído para a dinamização do sector imobiliário; como se sabe, hoje vêem-se outdoors de agências imobiliárias, na zona do Parque das Nações (Lisboa), inteiramente escritos em caracteres chineses.

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Os proprietários portugueses que apostarem na venda do seu imóvel, aproveitando a alta de preços, seguramente farão outros investimento em outros pontos da capital, e assim sucessivamente. 

Mas outro sector ansioso por esta notícia é o turismo. 4200 vistos são ainda uma gota no oceano de potenciais visitantes da nova classe média chinesa, que irão encontrar muitos motivos de interesse no nosso país. A receita e a imagem são bem conhecidas: somos um país antigo, com um lugar de destaque na História europeia (como Macau o demonstra); temos óptimo clima, óptima gastronomia, óptimos vinhos; somos um país estável e seguro, que alcança frequentemente o top20 ou o top10 em estudos e inquéritos internacionais sobre segurança em viagem - e mesmo para nós, habitantes, embora por vezes as notícias nos dêem a imagem inversa. Somo um povo simpático e acolhedor. E, por cá, pode fazer-se de tudo. Praia, montanha, campo, património, golfe, urban breaks, enologia, lago - sim, o Alqueva - etc., até ilhas atlânticas , cada uma delas um microcosmos. Além disso, somos um país onde a oferta turística é cada vez mais profissional. E mais que o turista europeu, que por vezes ainda vem em busca do rústico ou para fugir à modernidade que tem no seu país, o chinês quer mesmo um bom serviço. Foi Anthony Bourdain que, no seu famoso programa de viagens, ouviu esta história.

Um turista inglês, após anos e anos a voltar ao mesmo restaurante em Tânger (Marrocos), um dia, ao chegar, ficou escandalizado. Havia uma televisão na parede. O dono do restaurante, por sua vez, indignou-se com o escândalo: "então, não podemos ter tecnologia, também?"

Não, o chinês quer profissionalismo, por isso há que aproveitar a onda e trazer mais bons clientes. Paulo Futre ficou (novamente) famoso, em 2011, com a sua atabalhoada intervenção numa campanha eleitoral sportinguista, com o "vai vir charters da China." Mas a sua ideia estava certa - potenciar o desenvolvimento da China a nosso favor. Vamos a isso!