A Câmara de Melgaço, município do distrito de Viana do Castelo, está a convocar toda a população para uma manifestação a realizar no próximo dia 13 de Janeiro, no Porto. O objectivo desta iniciativa é manter a exclusividade da designação do vinho Alvarinho, um estatuto que, até ao momento, apenas pertence à sub-região de Monção e Melgaço, e que poderá em breve ser alargado a toda a região dos Vinhos Verdes - ao todo 47 municípios.

"Vamos à luta". É desta forma que começa o apelo da autarquia minhota, que assegura transporte a todos os interessados. A reunião das tropas será feita no próprio dia, em frente à sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, localizada na Rua da Restauração, na cidade do Porto.

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Espera-se a participação de centenas de pessoas: desde produtores a políticos da região, académicos e até a deputados da Assembleia da República.

A data não foi escolhida por mero acaso. É no dia 13 de Janeiro que está prevista a reunião, na Comissão de Viticultura, de todas as entidades interessadas no processo. Um encontro, que para muitos, poderá ser o último e decisivo na determinação, ou não do alargamento da marca "Vinho Alvarinho". Segundo o comunicado da Câmara de Melgaço, há aproximadamente um ano que esta Comissão pressiona a mudança.

Tanto melgacenses como os monçanenses têm medo de perder a notoriedade e o prestígio alcançados após décadas de trabalho árduo. Em sua defesa apontam que, ao contrário dos produtores da restante Região dos Vinhos Verdes, optaram sempre por apenas um nicho.

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A adopção desta estratégia levou à valorização da casta e à produção do que consideram ser "o melhor vinho Alvarinho do mundo". Com o alargamento da designação, todos os produtores irão beneficiar do prestígio do produto, especialmente as grandes empresas do ramo, o que poderá colocar em causa, no futuro, a sobrevivência dos pequenos produtores de Melgaço e Monção.

De referir que a exclusividade da denominação "Alvarinho" a esta Sub-região, decretada em 1973, nunca impediu que outras regiões portuguesas produzissem o vinho a partir da mesma casta. Apenas nunca autorizou que as garrafas tivessem o rótulo de "Vinho Verde Alvarinho", estatuto exclusivo de Melgaço e Monção.

Recorde-se que no passado mês de Julho foi aprovada pela Assembleia da República a recomendação ao Governo para não ser alargada a designação de Vinho Alvarinho. Contudo, o Ministério da Agricultura tomou uma nova posição após a União Europeia exigir o fim da exclusividade por violar a lei da livre concorrência. Os produtores da Região dos Vinhos Verdes reclamam que está em causa um negócio de aproximadamente 17 milhões de euros, que não conseguem alcançar por não terem direito ao mesmo estatuto. A Comissão Europeia exige uma solução até ao dia 15 de Janeiro, apenas dois dias depois da manifestação. #Negócios