Num relatório revelado nesta terça-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) alertou para a imparável tendência, a longo-prazo, do crescimento das desigualdades a nível mundial. Com Portugal no "saco", esta realidade demonstra ser um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento e crescimento económico, tão necessário para ultrapassar, definitivamente, a crise mundial que começou em 2008, e que tantas vítimas provocou, até à data. A organização aponta para um futuro negro e um aumento do fosso entre os mais ricos e os mais pobres, alertando para as consequências deste aumento.

" O maior travão individual ao crescimento actual é o aumento do fosso entre as famílias pobres e da baixa classe média, em comparação com o resto da sociedade", destaca a OCDE.

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"Este estudo mostra que a principal forma como a desigualdade afecta o crescimento é por minar as oportunidades das crianças de enquadramentos socioeconómicos pobres terem acesso a uma boa educação, o que reduz a mobilidade social e limita o desenvolvimento das suas capacidades", conclui o relatório.

Portugal, sendo um dos países mais desiguais da Europa, e depois de passar por uma crise profunda, viu ser acentuado esse parâmetro. Os pobres, cada vez mais pobres e os ricos, cada vez mais ricos: é a realidade actual do país. De facto, aumentaram as desigualdades em quase todas as dicotomias possíveis, com um natural destaque para o aumento do desemprego, que, actualmente, afecta cerca de um milhão de portugueses. Dados revelados pela OCDE, demonstram que em Portugal os 10% mais ricos ganhavam, em 2011, o equivalente a 9,9 vezes o que recebiam os restantes 90%.

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Contudo, a organização aponta algumas soluções a ser tidas em conta pelos governos nacionais, referindo que "programas contra a pobreza não são suficientes". Para uma resposta mais rápida, afirmam serem necessárias "transferências sociais e um aumento do acesso a serviços públicos, como o ensino de qualidade, saúde e formação, investimentos essenciais para a criação de uma maior igualdade de oportunidades".