O preço da commodity tem vindo a cair desde setembro de 2014, quando o valor do barril, até então acima dos 100 dólares, começou a variar negativamente de forma mais consistente. As últimas estimativas dão conta de números abaixo de 60 dólares. Este preço é muito baixo. Aliás, o mais baixo em mais de uma década, contando com a crise de 2008 e todas as suas reverberações, como redução do consumo nas economias europeias.

No que diz respeito aos motivos, muitas apostas são feitas pelos especialistas. Vão desde uma possível represália dos norte-americanos à Rússia, a uma tentativa da Arábia Saudita de atrapalhar a economia do país vizinho (o Irão) e mesmo a um erro de estratégia da OPEP (cartel que representa a maior parte dos países produtores de petróleo do mundo).

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Alguns afirmam que o mundo está diante de um novo contexto produtivo, com a OPEP a deixar de ser o único responsável pelo preço mundial, já que países como Rússia, México, Noruega e os EUA fazem agora parte do grupo.

Independentemente dos motivos, segundo recente entrevista de Mamdouh Salameh, consultor do Banco Mundial e economista internacional especializado em assuntos do petróleo, a maior causa de pessimismo é que vários países precisariam de valores acima de 100 dólares para equilibrar o seu orçamento. Encontram-se nesse grupo os principais exportadores de petróleo, inclusive a Arábia Saudita, que tem 80% das suas receitas oriundas da exportação da commodity. Dessa forma, saem a perder todos os exportadores, desde os já citados, até Iraque, Venezuela e até mesmo a Nigéria, que teriam mais de 50% das suas receitas associadas ao mesmo produto.

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Apesar da possibilidade de redução da inflação mundial, os valores neste patamar podem ser extremamente perigosos não só para os países exportadores. As maiores empresas do setor já começaram a vender parte das instalações e a cortar investimentos associados à produção. Muitas delas não conseguem viver com patamares abaixo de 80 dólares. Isso significaria a longo prazo, e caso algumas venham a falir, menos competidores e obviamente, desemprego, preços mais altos, regresso da inflação.

Finalmente, no caso do Brasil, a Petrobras têm duas questões em vista. Inicialmente ganha ao vender internamente por um preço bem maior do que o externo. Já anunciou que pretende reduzir a sua produção, uma vez que a refinação do petróleo encontrado no Brasil é relativamente cara, devido às suas propriedades. Entretanto, uma segunda questão emerge: mesmo com a produção em camadas mais profundas viável com o preço até 45 dólares por barril, essa alteração também prejudica a receita com exportações e os investimentos no pré-sal, que tem custos de extração mais altos do que os de reservas tradicionais. #Negócios