Mario Draghi, na sua primeira reunião mensal de 2015, depois de dar as boas vindas à Lituânia (que passa assim a ser o 19º país cuja moeda oficial é o Euro) divulgou as 3 decisões tomadas pelos membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE). Para proteger o seu principal objetivo - que é o de manter a taxa de inflação na zona euro próxima, mas abaixo dos 2% - foi tomada a medida que todos ansiavam: o uso de artilharia pesada, conhecida como "quantitative easing" (alívio quantitativo) em que, para além da compra de dívida privada, começará a ser também comprada dívida soberana.

A segunda decisão foi a alteração do preços quanto a estes créditos, incluindo as seis operações de crédito que ainda estão em execução, que passa a ser igual à taxa de juro principal de refinanciamento (que representa a taxa a que o BCE concede crédito aos bancos nacionais).

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Esta taxa foi mantida inalterada no mínimo histórico dos 0,05%. A taxa de juro dos depósitos dos bancos nacionais no BCE continua também inalterada nos 0,20%. Permanece também inalterada a taxa de empréstimo nos 0,30%.

Em relação à sua principal e mais aguardada medida, a compra de ativos por parte do BCE, vai consistir na compra de títulos públicos e privados no montante de 60 biliões de euros por mês até ao fim de Setembro do próximo ano, pelo que mais de um trilião de euros será injectado na economia. Esta compra de ativos será rateada de acordo com a participação no capital que cada Banco Central Nacional tenha no BCE, ou seja, as economias como a Alemanha verão uma maior parte da sua dívida comprada pelo BCE do que uma economia mais pequena, como a portuguesa. Estes rácios foram atualizados no início de 2015, pelo que os bancos portugueses correspondem a cerca de 1,75% do total de capital (cerca de 189 mil milhões de euros), ficando atrás de 8 economias da zona euro, nomeadamente Alemanha (18%), França (14,2%), Itália (12,3%) e mesmo a Grécia (2%).

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Este rateamento vem mitigar a decisão de compra de risco por parte do BCE, ficando de acordo com as posições contrárias a este tipo de medidas, como a da Alemanha.

O BCE tenta assim contrariar a inflação (IHPC) muito baixa que se tem feito sentir na Zona Euro através da gestão de expetativas por parte dos vários agentes económicos. Mario Draghi concorda com a opinião de várias pessoas, nomeadamente da diretora geral do FMI, Christine Lagarde, de que parte destas medidas já foram interiorizadas pelos mercados, pelo que não serão suficientes, ficando a cargo de cada governo adotar outras medidas para contrariar o baixo crescimento da economia que se tem feito sentido por toda a Europa. Portugal é um dos países da zona euro que mais precisa deste aumento da inflação da zona euro. Por um lado, porque reduziria a dívida real da dívida pública; por outro lado, uma inflação superior na zona euro permitiria ver os seus produtos ganharem uma maior competitividade. #Negócios