O Facebook tem mais de mil milhões de utilizadores e gerou uma receita de cerca de 12 mil milhões de dólares no ano passado. No entanto, a empresa alega que o seu impacto económico é muito maior. Para comprová-lo, contratou a consultora Deloitte para fazer um estudo. O relatório conclui que a rede social foi responsável por um impacto de cerca 227 mil milhões de dólares (qualquer coisa como 196 milhões de euros) na economia global: mais do que o Produto Interno Bruto de Portugal (cerca de 170 milhões de euros). O documento refere ainda que a empresa de Mark Zuckerberg criou cerca de quatro milhões e meio de postos de trabalho.

O estudo, comissionado pelo Facebook, tem sido alvo de muitas críticas por parte de economistas independentes, acusando a empresa e a consultora de utilizarem suposições questionáveis, atribuindo o valor a cada "gosto" na rede social e atribuindo ao Facebook crédito por cerca de um sexto dos smartphones vendidos em todo o mundo.

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"Estes resultados não têm qualquer significado", disse Roger Noll, economista da Universidade de Stanford. "O Facebook é um efeito, não a causa, do crescimento do acesso e da utilização da internet", acrescentou. A directora operacional da rede social, Sheryl Sandberg, discorda. "Sabemos que o Facebook é um dos principais motivos pelos quais compramos telemóveis, principalmente nos países em desenvolvimento", afirmou ao Washington Post. "Em alguns sítios, as pessoas confundem o Facebook com a Internet", ilustrou.

Sandberg, que planeia discutir os resultados do estudo num painel no Fórum Económico de Davos, na Suíça, disse numa entrevista que o Facebook pretende demonstrar que as empresas tecnológicas não estão apenas a destruir as velhas indústrias e a eliminar postos de trabalho: estão também a criar novos empregos e riqueza fora da indústria tecnológica.

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"A tecnologia também cria postos de trabalho não-tecnológicos, e está a criar muitos", declarou. A COO esclareceu que o Facebook ordenou o estudo com "o genuíno desejo de perceber o impacto económico" da rede social e espera que os resultados possam influenciar as decisões políticas, tornando-as mais favoráveis à indústria tecnológica.

No estudo, a Deloitte atribuiu um valor económico a cada "gosto" no Facebook, alegando que cada "like" tem um efeito amplificador nos negócios com páginas na rede social. A consultora também considerou o impacto económico dos eventos organizados através da plataforma. O trabalho estima ainda que o Facebook é responsável por 16 por cento da venda de smartphones. Ana Aguilar, directora da Deloitte que supervisionou o estudo, citou um inquérito europeu no qual 16 por cento dos residentes disseram não poder viver sem redes sociais. O relatório baseou-se em estatísticas fornecidas pelo Facebook e em debates sobre o impacto económico da rede social na economia mundial.

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Alguns detalhes, como o valor estimado de cada "gosto", são confidenciais.

Tyler Cowen, professor de Economia da Universidade George Mason, disse que é provável que o Facebook tenha um impacto económico significativo, mas não tão grande como o estudo indica, e sugeriu que os cálculos poderão estar baseados em "raciocínios errados". A Deloitte defende-se das críticas, dizendo que a sua metodologia se baseou "nos resultados gerais gerados por terceiros no ecossistema do Facebook" e não apenas nas actividades diárias da rede social. A consultora considera que a procura de smartphones e banda larga motivada pelo Facebook leva a uma melhoria nas conexões à internet, o que beneficia o resto da economia e estimula o crescimento económico.