As ruas de Luanda ilustram o problema que o país atravessa: dificuldades acrescidas em conseguir obter dólares, visto que são cada vez mais escassos. Esta escassez de dólar na banca angolana provocou um aumento da cotação da moeda-norte americana nas "kinguilas" de Luanda e a impossibilidade de levantamento de dólares em balcões. O Banco Nacional de Angola ordenou que fossem feitas reservas de divisas, que serão levantadas brevemente. Contudo, o banco poderá não autorizar o levantamento de 100% do montante solicitado, disse o gerente de um balcão de uma instituição bancária em Luanda.

Estas restrições afetam diretamente clientes que necessitam de viajar para o exterior e também as empresas, visto que o pagamento em divisas se torna mais difícil.

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A situação em Luanda é preocupante; frequentemente vários clientes recorrem a um mercado " informal", onde se processam trocas de divisas por kwanzas e vice-versa. As "kinguilas" são cada vez menos. As que ainda restam atraem os clientes que muitas vezes não conseguem satisfazer.

Esta situação acontece um pouco por todo o país, já que Angola é altamente dependente da exportação de petróleo. Com o preço do barril em valores mínimos, entram cada vez menos dólares no país. Os bancos não têm para quem precisa e as empresas internacionais, que recebem em kwanzas, não conseguem trocar o dinheiro para dólares, para depois o enviarem para o país de origem. Este é o caso da TAP. Por ser mais difícil transferir o dinheiro para Portugal, a TAP vai restringir a venda de bilhetes em Angola. Poderão ser comprados bilhetes para viagens entre Angola e Portugal, mas não o contrário.

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Para além do referido, as empresas enfrentam outro problema: o kwanza está a desvalorizar, pelo que perdem dinheiro mesmo que consigam fazer a troca. O Banco Nacional de Angola estudou uma solução para mitigar o problema, que admite ser particularmente difícil. Ainda assim, garante que não há razões para uma situação de pânico. O corte na cotação do petróleo para metade já levou o governo a discutir a revisão do orçamento para este ano. Certo é que Portugal e Angola têm relações estreitas. Se Luanda " tremer", a economia portuguesa poderá sofrer o impacto.