Em 2011 o Banco Central Suíço (BCS) havia introduzindo uma limitação ao valor máximo do Franco, a moeda nacional, de modo a evitar que este se tornasse demasiado valioso, o que prejudicaria as transações da Suíça para o resto do mundo. No entanto, numa decisão inesperada tomada esta manhã, o BCS decidiu que iria terminar com essa limitação artificial do valor da moeda, assumindo que a economia suíça havia já tido tempo suficiente para se adaptar, e a introdução de uma taxa de câmbio mínima, feita entretanto, deveria fornecer a proteção necessária. As repercussões da mais recente decisão, contudo, rapidamente se fizeram sentir. O Euro, já tremendamente afetado por uma crise sem fim à vista e a desvalorizar face ao Dólar, caiu agora ainda mais (alcançando um mínimo histórico de 1,16 Dólares, o que não sucedia desde Novembro de 2003), como se tombando num fosso, enquanto o Franco Suíço valorizou em mais de 30%.

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Ao mesmo tempo, o BCS anunciou uma subida dos interesses negativos para quem possuir contas em bancos nacionais de -0,25% para -0,75%, a entrar em vigor no dia 22 deste mês e que, em termos leigos, significa que qualquer dono de depósitos feitos nestes bancos irá pagar mais para os manter. Estas medidas atiraram os mercados financeiros para o caos. Houve uma queda de 2% do FTSE Eurofist 300 e as obrigações do governo alemão desvalorizaram enormemente. Esta quebra colossal do valor dos mercados europeus levou os investidores a procurar segurança noutro lado, sobretudo na compra de ouro e no mercado japonês, levando a um aumento do iene. O petróleo também voltou a cair ainda mais. Esta venda e compra de interesses nos mercados foi descrita como "uma carnificina" por alguns, declaração que demonstra o nível de pânico causado por este gesto do BCS.

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Para a Europa, esta é uma realidade que trará problemas em vários campos. A Europa havia vindo a receber investidores vindos de zonas atualmente menos estáveis, como a Rússia, e o Banco Central Europeu se preparava para reavivar a economia da UE através da criação de mais dinheiro, factos que teoricamente iriam ajudar uma economia grandemente afetada pelos vários erros de gestão tomados desde que começou a crise financeira. O BCS sentia que não seria capaz de lidar com o fluidez trazida por esses novos elementos, e, assim, sentiu-se forçado a medidas extremas. Contudo, a valorização do Franco e a perda de valor do Euro subitamente tornam os países da UE mais arriscados para se investir, daí o pânico financeiro. Fica ainda a sensação de que o BCS poderá estar a planear mais alguma coisa, levando ao uma maior apreensão dos investidores e a uma crescente desvalorização da moeda única europeia.