A mega Monsanto tem visto as suas acções na bolsa perderem valor enquanto simultaneamente tem vindo a anunciar constantes prejuízos. Esta polémica empresa de produção de alimentos geneticamente modificados tem-se mostrado incapaz de resolver os problemas constantes de liquidez. De facto até há bem pouco tempo era quase inacreditável que uma notícia destas viesse a público, dada a suposta pujança económica desta empresa de biotecnologia.

Essa realidade mudou. A empresa, sediada em St. Louis, Missouri, EUA, anunciou prejuízos de 156 milhões de dólares referentes ao 4.º trimestre de 2014. E analistas da Zacks Investment Research confirmam uma queda das acções da Monsanto em Wall Street para 24 cêntimos por acção - mas estiveram a ser vendidas por menos 31 cêntimos. O surpreendente é que ninguém no mercado financeiro tenha antevisto uma queda abrupta da maior empresa do mundo de transgénicos (ou alimentos geneticamente modificados).

O declínio da Monsanto pode ser explicado por 2 vias. A primeira, o declínio generalizado do mercado e a anunciada recessão económica estão a mostrar os seus indicadores através das empresas megalíticas (mais expostas). A segunda, uma negação do mercado, pois um público cada vez mais informado está a derrotar no mercado as empresas prevaricadoras em termos de qualidade de alimentação como a McDonald's, e agora, a Monsanto.

De facto, uma campanha popular de denúncia da alimentação geneticamente modificada usava o slogan "Vencê-los-emos com a nossa carteira", referindo-se a uma batalha económica em que o consumidor era afinal quem em última instância e na hora da compra, decidia o mercado. A mesma campanha também se referia à injustiça que os americanos sentiam depois de verem a mega-Monsanto, então super-pujante, ganhar facilmente, e por vezes incompreensivelmente, processos litigiosos em tribunais que envolviam aquisição de terrenos em todo o mundo para cultivo dos seus projectos genéticos. Por exemplo, calcula-se que na Índia se tenham suicidado mais de cinco mil agricultores que compravam sementes (não renováveis) à Monsanto e acabaram por perderem as suas terras para a Monsanto por não conseguirem cumprir os seus contratos de produção com a perversa empresa.

A partir de agora, e com estes dados financeiros, o que está em causa já não é apenas a Monsanto, mas o que ela representa: a produção de alimentos "geneticamente modificados", não naturais, debilitantes e cancerígenos. Até porque esta organização estava a investir milhões numa campanha de reversão da rotulagem dos alimentos com a etiqueta OGM (Organismos Geneticamente Modificados), que os alimentos da Monsanto têm de ostentar por obrigação da lei americana.

São, no entanto, ainda muitas as dúvidas que se colocam à integridade dos alimentos geneticamente modificados, precisamente porque a Monsanto não quer abrir informação ao público acerca do processo de fabrico das sementes geneticamente modificadas. Esta negação da informação e constantes casos judiciais, suspeitosamente sempre a favor da Monsanto, levaram o público a sancionar a empresa "com as carteiras". Simplesmente porque a Monsanto e 96% dos seus accionistas não querem que se saiba o que se come na mesa.

A opinião pública americana e europeia continua a questionar as empresas de produção de alimentos geneticamente modificados, principalmente acerca da composição das sementes e da existência de substâncias tóxicas nestes alimentos. E questiona com estas sanções económicas.