Esta quarta-feira Portugal voltou aos mercados e emitiu, sem dificuldade, 1.250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a 10 anos. Isto à taxa mais baixa de sempre, reduzida em quase meio ponto percentual relativamente ao mês anterior. As obrigações portuguesas foram transacionadas a uma taxa média que estabilizou nos 2,5%, inferior aos 2,6% verificados imediatamente antes do leilão, sendo que investidas equivalentes de espanhóis e italianos transacionaram-se uma fração acima. A procura dos investidores foi mesmo o dobro da oferta em leilão.

O êxito da operação afigura-se como sinal de que a economia nacional se encontra, para já, à margem do tumulto provocado pela posição anti-resgate do novo executivo grego. De referir que, acima de tudo, os grandes investidores em dívida pública mostram confiança no programa do Banco Central Europeu (BCE) que, a partir do próximo mês e ao longo de dois anos, tenciona injetar cerca de 1,1 biliões de euros na economia da Zona Euro, incluindo a compra de dívida soberana europeia. No entanto, face ao espectro de instabilidade gerado pela antevisão de difíceis negociações entre o governo grego, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e que abalou a bolsa de Atenas, este bom exemplo de Portugal parece confirmar que o impacto está a ser contido.

Na verdade, Portugal mostrou ter recuperado a credibilidade junto dos mercados, após a conclusão bem sucedida do seu resgate financeiro. A confiança dos investidores não será mesmo alheia ao recente anúncio do governo português no sentido de antecipar o reembolso ao FMI. A estratégia vincada de afastamento em relação à Grécia parece também estar a dar frutos. A situação macroeconómica portuguesa e a sustentabilidade da dívida nacional não parecem, por enquanto, merecer comparações com o grave problema grego. As boas condições de financiamento proporcionadas a Portugal pelo próprio BCE parecem querer demonstrar claramente que os dois países se encontram em níveis de solidez bem diferentes.