Quatro em cada dez italianos não querem mais o euro, de acordo com uma pesquisa divulgada na sexta-feira pelo Instituto de Política, Económica e Estudos Sociais, Eurispes, localizado em Roma. A percentagem dos italianos que querem que a Itália saia da zona do euro aumentou de 26% no início de 2014 para os actuais 40,1%, diz a agência de pesquisas. Mais de metade dos eurocéticos italianos acha que a moeda única é a principal causa de problemas económicos da Itália, uma vez que privou o país da possibilidade de desvalorizar sua moeda à vontade.


Os eurocéticos da Itália querer voltar para a lira; 22,7% dos inquiridos afirmam que apenas os mais ricos membros da UE beneficiaram do euro e 71,5% dos inquiridos afirmam que o seu poder de compra diminuiu significativamente em relação ao ano passado. Mais de metade dos italianos entrevistados (57%) disseram que não conseguem pagar e poupar para grandes despesas.


Quase um em cada dois italianos, ou 45%, gostaria de deixar o país e viver no exterior. A agência Eurispes diz que este dado registou um aumento de 8% a partir desde 2006, dois anos antes da crise económica global. A pesquisa também constatou que 47% dos italianos que não conseguem sobreviver financeiramente até ao final do mês, 16,4% mais que no ano passado - mostrando um agravamento das condições financeiras dos italianos.


Isto ecoa preocupações semelhantes na Grécia, onde muito recentemente tem sido anunciada uma possível saída do país da zona euro. Enquanto o recém-eleito primeiro-ministro Alexis Tsipras afirmou que a questão não está neste momento em cima da mesa, mas muitos especialistas referem que em breve estará na agenda politica.

"O que estamos vendo são as morte-agonias do euro," refere Robin Mitchinson, um comentador que escreveu no seu site: "Vai ser prolongado e desagradável, mas a moeda única deve finalmente entrar em colapso sob o peso de sua contradição fundamental: que não pode funcionar sem uma união fiscal e sem os países membros entregarem a sua soberania total dos seus assuntos financeiros. Situação impossível para qualquer estado soberano."

Bruxelas tem pavor que uma Grexit - saída da Grécia do euro - possa iniciar uma debandada para a saída de outros países do "Club Med" (Grécia, Espanha, Itália e Portugal), prevê Mitchinson. A união monetária tem sido uma falha catastrófica. Uma falha calculadamente catastrófica, diriam outros comentadores, como o economista Max Keiser que adverte que a decadência do euro não apenas desfavorece a população mas é um instrumento para enriquecer as cúpulas da organização financeira, afastando por asfixia a competição e a concorrência da classe média.

O novo ministro das Finanças da Grécia dá-lhe dois anos. A grande questão é o que pode ser recuperado dos destroços, afirmou. É de lembrar que tal como outros países da zona euro, como a França, Espanha ou Inglaterra, a Itália anunciou um prejuízo de mais de 2 biliões de euros de exportações impedidas para a Rússia e uma perda de 11% no volume de exportações. Estes dados são a ilustração dos prejuízos que levam ao descontentamento dos italianos numa economia sancionada pela politica externa da União Europeia, desde que decidiu pelas sanções à Rússia no caso - ainda não provado - da agressão russa a um avião da Malaysian Airlines em Julho de 2014 em território ucraniano.