O mundo, ou pelo menos Portugal, conhece bem Isabel dos Santos: a filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e da sua primeira mulher, Tatiana Kukanova, tem investimentos no nosso país no valor de quase dois mil milhões de euros. Mas parece que afinal começou por baixo. Apesar de ter um pai poderoso, a empresária de 42 anos vendeu ovos e trabalhou numa empresa de limpeza e desinfestação antes de se tornar rica.

As duas irmãs, de mães diferentes mas do mesmo pai poderoso, revelaram em diferentes situações os seus inícios de carreira modestos. Se Isabel dos Santos contou ao "Financial Times" que quando tinha seis anos vendia ovos, Welwitchia José dos Santos, conhecida como Tchizé, recordou em Angola, num recente Fórum de Capacitação da Mulher Empreendedora, que aos 16 anos era organizadora de festas final de ano.

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"Organizei uma célebre festa na ilha de Luanda e lembro-me de que o dinheiro líquido foi de 25 mil dólares [cerca de 20 mil euros]", revelou.

Actualmente, a filha mais velha de Eduardo dos Santos é considerada pela "Forbes" a empresária mais rica e poderosa de Angola, sendo a sua fortuna avaliada em cerca de 2.6 mil milhões de euros. Parte dessa fortuna vem dos vários investimentos que possui em Portugal: nos bancos BPI, BIC e BPN, na Galp Energia e na NOS (e mais recentemente houve uma tentativa de OPA à PT). Para além disso, é casada com Sindika Dokolo, empresário e coleccionador de arte congolês igualmente rico.

Tchizé, de 37 anos, é deputada do partido angolano MPLA e igualmente detentora de investimentos económicos no nosso país, na área da agricultura. Casada com Hugo Pêgo, engenheiro agrónomo, Tchizé não é tão rica ou poderosa como a irmã.

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Mas não está nada mal na vida.

Estas revelações tornam-se assim um pouco controversas: se o início modesto destas duas mulheres pode inspirar muitas outras, a verdade é que a origem destas irmãs, sendo filhas de José Eduardo dos Santos, é por si só garantia de uma vida muito bem-sucedida. E com inúmeras polémicas de corrupção à volta do governo angolano e destas irmãs, pode tornar-se sarcástica esta admissão de passados humildes. Mas a intenção destas revelações será, certamente, encorajar os jovens a serem empreendedores; e talvez um dia consigam fazer parte da lista da "Forbes".