A crise económica que varreu a Europa levou a Grécia à bancarrota e forçou um empréstimo por parte do Banco Central Europeu, sobretudo financiado pela Alemanha, para retirar Atenas dessa situação insustentável. Tal empréstimo trouxe com ele as medidas de austeridade, impostas pela Troika, que representava os credores a quem Atenas agora deve, e que tanta polémica e sofrimento trouxeram ao povo grego. Por isso mesmo os movimentos políticos extremistas foram-se tornando mais populares, com a Aurora Dourada a tornar-se especialmente infame, mas foi o Syriza quem no mês passado subiu ao poder, trazendo consigo o Primeiro-Ministro Alexis Tsipras e o Ministro da Economia Yanis Varoufakis.

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Tornando-se estrelas dos media internacionais da noite para o dia, estes dois homens propuseram um plano que segundo eles retiraria a Grécia da crise. Mas apesar da popularidade que ganharam em casa, granjearam também ampla polémica a nível internacional, sendo o elemento mais recente, e certamente um dos mais surpreendentes, aquele hoje revelado de pedir à Alemanha o valor das indemnizações pelos estragos causados na Segunda Guerra Mundial, há 70 anos.

Avaliado em 162 mil milhões de euros, o valor desta indemnização seria, pois, suficiente para pagar cerca de metade da dívida pública grega (avaliada nuns exorbitantes 315 mil milhões de euros). Seria também parte daquilo que Varoufakis descreveu como um "new deal" financiado pelo BCE que iria, nas suas palavras, ajudar a Grécia a sair do problema em que se encontra e a retomar o seu lugar na Europa. Outras medidas implementadas são a subida do salário mínimo para 750 euros (dos prévios 580), eletricidade e alimentos gratuitos para os mais pobres, e medidas para acabar com o desemprego.

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Admitindo a vontade de pagar a dívida, o novo governo de Atenas declara ainda que rejeita a austeridade, segundo as palavras de Tsipras, e que não irá negociar a soberania nacional, trabalhando para bater o pé pelos interesses gregos.

No entanto, e como esperado, esta atitude levantou um coro de críticas por toda a Europa. O espectro de expulsão da Grécia da Zona Euro regressou também em força, mas Varoufakis afirmou que tal atitude representaria o principio do fim da mesma. As suas afirmações no encontro deste Domingo em Berlim foram ainda marcadas pela referência ao nazismo que se vê representado na Aurora Dourada, para desconforto dos presentes.

Também dos Estados Unidos vieram vozes receosas pelos eventos na Europa. No geral, os governantes americanos pedem que se mantenha a cabeça fria nesta ocasião e que se atinjam compromissos por todas as partes envolvidas, uma vez que a fragmentação da Europa, a acontecer, traria terríveis resultados para todos.

Convém ainda relembrar que o executivo grego havia previamente conversado com os governos americano e russo (convenhamos que a Grécia é um dos grandes opositores das sanções sobre Moscovo) ainda antes de se encontrar com os seus homólogos europeus, talvez para criar uma base sobre a qual debater a sua posição.

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O certo é que a juntar-se a outros elementos, estas afirmações apenas ajudam a tornar a Europa ainda mais dividida e instável, face aos desafios que enfrenta.