O Banco de Investimento de Infraestruturas Asiático (BIIA), trazido a público no passado mês de Outubro, corresponde a um maciço investimento financeiro e político de Pequim, e tem em vista criar um banco de investimento a uma escala global, que certamente reafirmará a postura da República Popular da China como uma potência mundial. Evidentemente que os Estados Unidos da América, que suportam o Banco Mundial (uma organização da ONU, mas baseada em Washington DC), não veem esta iniciativa com bons olhos.

Não obstante, o BIIA já atraiu grande interesse entre vários governos, com países tradicionalmente ligados aos EUA a levarem algum investimento para o projeto chinês, como é o caso da Alemanha, da França, do Reino Unido e, algo surpreendentemente, da Coreia do Sul.

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Pequim também anseia por conseguir atrair Tóquio para esta iniciativa avaliada em 46 mil milhões de euros, mas o mais recente associado é Moscovo.

A aproximação entre a Rússia e a RPC não é surpreendente, apesar dos laivos de hipocrisia. Nos anos de 1960 ambos os países cortaram relações, com base nas divergentes políticas dos regimes comunistas em ambos os lados da fronteira, e chegaram inclusive a envolver-se em conflitos fronteiriços. Pequim sempre ambicionou as vastas reservas de recursos da Sibéria, e houve até planos para uma invasão. No entanto, com a mudança da dinâmica internacional após o fim da Guerra Fria e o ressurgimento económico chinês, tem-se visto uma tendência para a reaproximação destas duas grandes nações.

Ambas apresentam, atualmente, ambições territoriais que são contestadas por grande parte da comunidade internacional e que antagonizam grandemente os seus vizinhos, e o apoio político nesses assuntos é certamente bem-vindo.

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Recentemente o governo filipino iniciou a construção de instalações militares no Mar do Sul da China, em resposta a ações similares de Pequim. Entretanto na América do Sul, a RPC e a Rússia aumentam a sua agressividade política, apoiando-se mutuamente na crescente influência que vão ganhando junto de diversas potências regionais. Um caso interessante é o da Argentina, com Moscovo a voltar atrás na oferta de caça-bombardeiros Su-24 após Pequim ter oferecido um negócio de caças FC-1 Thunder.

Ambos os casos exemplificam situações em que o apoio mútuo entre Pequim e Moscovo oferece uma tão importante legitimidade ao debate, pelo menos aos olhos dos próprios povos. Não apenas se criam assim novas hipóteses de negócio, como se obrigam os EUA a agir em várias frentes, diluindo a sua atenção.

Na perspetiva económica, a Rússia tem grande interesse em vender combustíveis a Pequim. Não apenas houve uma quebra nas vendas com a aplicação das sanções após o início da crise ucraniana, como a RPC necessita do petróleo e gás natural russos para suprir as próprias, e sempre crescentes, necessidades.

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Vladimir Putin também tem grande interesse no reavivar das trocas comerciais naquilo que foi descrito pelo seu assessor presidencial Igor Shuvalov como a "esfera económica da Rota da Seda." Ambos os lados veem aqui grandes oportunidades para reavivar as suas economias e as dos países que por conseguinte já estão, ou em breve ficarão, sob a sua influência.

Para os Estados Unidos e seus aliados mais próximos esta é uma questão deveras importante, pois acentua ainda mais a luta de poder a nível global entre o Bloco Ocidental e a crescente aliança entre Moscovo e Pequim. #Política Internacional