"Os americanos que estão a pensar fazer um cruzeiro no Mediterrâneo num futuro próximo deviam, talvez, pensar duas vezes". É desta forma que Thomas Stewart, antigo comandante da Marinha norte-americana, começa um artigo de opinião publicado no Washington Times. "Os militantes do Estado Islâmico estão próximos de assumir o controlo da costa líbia. Se isso acontecer, os cruzeiros e navios mercantes podem ser os próximos alvos", alerta Stewart. A ameaça é real.

Seth Cropsey, antigo oficial da Marinha e actual director do Centro para o Poder Marítimo Americano do Instituto Hudson, abordou também o assunto num texto editado pelo The Wall Street Journal.

Publicidade
Publicidade

"As perspectivas de que o Estado Islâmico venha a ter um poderio naval significativo são remotas. Mas pequenos barcos, navios de pesca ou contrabandistas que transportem armas escondidas podem sequestrar, afundar ou pilhar navios comerciais, incluindo cruzeiros no Mediterrâneo", explica.

O advogado marítimo Jim Walker, especialista em assuntos relacionados com a segurança dos passageiros, vai ainda mais longe. Quando questionado se os americanos que fazem cruzeiros no Mediterrâneo se estão a expor ao perigo, respondeu: "numa palavra, sim".

Os especialistas avisam que barbaridades como as do Achille Lauro (um navio que foi sequestrado em 1985 por militantes da Frente de Libertação da Palestina que exigiam a libertação de 50 palestinianos de prisões israelitas e mataram um passageiro) ou os mais recentes ataques piratas verificados na Somália podem ser recriados no Mediterrâneo, um dos corredores marítimos mais movimentados do mundo.

Publicidade

Alguns comentadores vão ainda mais atrás no tempo, há 200 anos, quando os piratas da Barbária tomavam navios e reféns sem qualquer oposição. "Como antigo oficial da Marinha, eu digo: por todos os meios, lembremo-nos dos Piratas da Barbária. Esse capítulo da história oferece-nos o melhor guia sobre como devemos responder nesta potencial ameaça", frisa Thomas Stewart.

O que aconteceria, então, se, passados 200 anos, os Barbários regressassem, como Estado Islâmico? "Durante a Guerra Fria, a força naval americana no Mediterrâneo incluía dois porta-aviões e um anfíbio. Hoje, está reduzida a um navio de comando com base em Itália e uma mão-cheia de contratorpedeiros em Espanha. No caso de enfrentarmos uma potencial ameaça pelo Estado Islâmico, temos de reforçar a nossa presença naval nesta região", considera o ex-militar. "Quando eramos uma nação pobre e insignificante, conseguimos responder aos desafios do #Terrorismo islâmico nos mares desenvolvendo o nosso músculo naval. Hoje, somos uma superpotência mundial.

Publicidade

Temos os recursos para lidar com uma reencarnação dos piratas da Barbária. A questão é: teremos a vontade?", conclui.

Como é que isto afecta Portugal? Muitos dos cruzeiros pelo Mediterrâneo têm partida ou passagem pelo nosso país, nomeadamente por Lisboa, representando muitos milhões de euros para a economia nacional. Só em 2014, passaram pelos portos nacionais mais de um milhão de passageiros. Para se ter uma ideia do que isto significa, em Maio, quando três dos mais emblemáticos navios do mundo fizeram escala na capital, transportando mais de 18 mil pessoas, as notícias davam conta de que o impacto para a cidade podia ascender aos 1.4 milhões de euros. Se textos como o de Thomas Stewart continuarem a ser publicados e, acima de tudo, se a ameaça se verificar real, as consequências para a Europa, e para Portugal, poderão ser devastadoras. #Turismo