A semana passada foi o culminar de um mau período para o euro. A moeda europeia sofreu com a questão grega, as mudanças colocadas ao valor do franco suíço, e a injeção de milhares de milhões de euros na economia pelo Banco Central Europeu com vista a tentar controlar uma crise económica sem fim à vista. O acumular de todos estes fatores levou a uma desvalorização do euro e à sua quase paridade com o dólar. Apesar de todo o aparato ter vantagens para a Europa, uma vez que torna as exportações mais apetecíveis, a verdade é que também sobe o valor das importações. Para além disso, cedeu terreno aos esforços do Banco Federal Americano de voltar a impor a sua moeda como dominante no palco mundial.

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No entanto, esta semana parece ser o ponto de viragem na especulação negativa do valor do euro. As lideranças do Banco Federal nos Estados Unidos da América levam a cabo neste momento uma reunião que já dura há dois dias e que analisa a possibilidade de aumentar as taxas de juros associadas ao dólar, o que a ser efeito representaria a primeira vez em 9 anos que se tomava tal iniciativa. Convém lembrar que desde 2006 que esse valor gira entre os 0 e os 0,25%, uma marca bastante estável. No entanto, não permitem grande flexibilidade perante os problemas financeiros que estão a desenrolar-se em todo o mundo, criando uma instabilidade nada apetecível. Para além disso, o crescimento da economia dos EUA continua a ser mais lento do que se esperava, apesar das boas perspetivas de crescimento do emprego.

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Os resultados desta incerteza não se fizeram esperar, com o valor do barril de crude a voltar a cair (apesar de se manter pouco acima dos 50 dólares), e com o euro a recuperar pela primeira vez em semanas, chegando aos 1,06$. As bolsas de valores americanas foram também afetadas negativamente, assim como o mercado de habitação, que caiu para valores inéditos no último ano. Convém ainda ter em conta que esta situação não depende apenas da dinâmica transatlântica.

No outro lado do mundo a queda do iene continua, com o governo de Tóquio a imprimir dinheiro numa tentativa desesperada de contrariar a crise que grassa no Japão. O Primeiro-Ministro Shinzo Abe foi incapaz de cumprir as suas promessas, feitas na sequência de uma série de escândalos que tinham feito tombar o governo anterior, e agora refugia-se na retórica nacionalista para salvar a face. Em Seul, a bolha do mercado imobiliário parece à beira de explodir, numa crise de resto partilhada com Pequim, forçando o governo sul-coreano a ponderar as restrições atualmente impostas às taxas de juros.

Tudo isto junto teve impacto junto do dólar. Independentemente das decisões feitas no Banco Federal, quaisquer subidas das taxas só poderão ser levadas a cabo pelo meio do ano, se não mais tarde. Para já, a dinâmica entre euro e dólar mantém-se fluída, um pouco demais para os gostos dos investidores.