Quando o euro foi criado, no final do século passado, o seu valor foi fixado pouco acima do dólar americano. A ideia era a de criar uma moeda que fosse forte o suficiente para se impor como uma das mais poderosas logo após a sua criação, mas também de modo a que não fosse tão forte que repudiasse as exportações europeias. Convém ter em conta que a prioridade da Euro Zona era a de criar uma economia forte dentro da Europa (que iria dar vantagens sobretudo à Alemanha, que exportaria para os restantes mas importaria pouco). Assumia-se também que esta iria crescer a um bom ritmo no futuro previsível. Deste modo, o dólar diminuiu de importância nos mercados internacionais, e ambas as moedas têm desde então travado um duelo silencioso.

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No entanto, a posição da moeda americana como a segunda em relação ao euro pode estar em vias de mudar. A crise da Euro Zona afetou negativamente o valor da moeda europeia quase desde o início, com as medidas de austeridade impostas para controlar os défices nacionais a levar a uma catástrofe laboral por todo o continente. Mas os primeiros meses de 2015 têm sido prolíficos em incidentes que afetaram o euro negativamente.

Primeiro o Banco Central Suíço terminou com as limitações artificias do valor do franco, que haviam sido impostas em parte para garantir a estabilidade do euro. Os efeitos foram imediatos e mediáticos. Depois veio a decisão do banco Central Europeu de fazer uma injeção de 1,1 biliões de euros para tentar reavivar a economia do continente, que apesar do esforço iria sempre diminuir o valor da moeda.

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Esta iniciativa está neste momento em curso. Por fim veio a questão grega, e a insistência do Syriza de modificar e revogar os acordos anteriores com vista a tentar revigorar a economia nacional. O braço-de-ferro resultante e as trocas de acusações trouxeram ao de cima o espectro da fragmentação da Zona Euro, e da machadada final na economia europeia.

Todas estas crises sequenciais abalaram grandemente o valor do euro nos mercados internacionais. E assim se chega à realidade do início desta semana, com o euro a valer 1,07 dólares, o valor mais baixo desde 2003 (convém lembrar que a moeda começou a circular em 2002). Também atingiu o valor mais baixo em relação à libra desde 2007, batendo nos 0,71. É uma situação que também aumenta a pressão na coroa dinamarquesa. Qual seria o rescaldo se também Copenhaga decidisse abdicar das limitações no valor da moeda?

Não é que esta situação seja, de si, trágica para a Europa. Na verdade, torna as exportações para fora mais baratas, apesar de tornar as importações mais caras. Ainda assim, a previsão do crescimento da Zona Euro diminuiu para 1,5%, e espera-se que o valor da moeda continue a descer durante o futuro previsível. No geral, contudo, existe uma forte conotação negativa para com a economia e a política europeias, e isso dificilmente agradará aos investidores.