Os consumidores domésticos de gás natural e eletricidade vão poder manter os seus contratos até 2017 sem terem de optar, por agora, por um operador do mercado livre. A garantia foi dada pelo secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, no programa Europa.28, da EconómicoTV (ETV). Os portugueses ficam, assim, com mais tempo para mudarem de fornecedor para o mercado livre, decidindo, no futuro, de forma mais ponderada, qual a melhor opção para si. Na prática isso significa que, nos próximos dois anos, quem quiser poderá ainda permanecer no mercado regulado onde os preços são estabelecidos pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

O Diário Económico refere que a decisão do Governo em adiar o prazo tem como objetivo "dar tempo ao setor para amadurecer, criando condições para o aparecimento de oferta de energia mais competitivas". O Governo recuou nesta matéria decidindo adiar o final de 2015 como a data limite para que todos os consumidores saíssem do mercado regulado e escolhessem um comercializador do mercado livre. O mercado liberalizado permite a livre concorrência nos mercados de eletricidade e gás através da existência de vários comercializadores da qual resulta uma escolha mais alargada por parte dos consumidores.

Ainda sem que tenha acabado a tarifa transitória regulada tem havido algumas alterações significativas do mercado regulado para o mercado dos preços livres. Por exemplo no gás natural, segundo a ERSE, o mercado liberalizado contava, no final de 2014, com cerca de 825 mil consumidores, representando, no ano passado, uma taxa de crescimento média mensal de 3,8%. O mercado regulado fechou o ano de 2014 com 559 mil consumidores, um número inferior em cerca de 65 mil consumidores relativamente ao mercado liberalizado. No que concerne a quotas de mercado, a EDP regista uma quota de 49,2% sendo o principal fornecedor do mercado, seguida pela Goldenergy com 25,7% e da Galp, com 25,1%. Já no que se refere à eletricidade, os números apontam para que ainda exista cerca de 2,5 milhões de clientes que não mudaram de operador.