Até ao momento, ainda não se conseguiu obter informações de Isabel dos Santos, a não ser aquelas que escreveu às administrações do BPI, BCP e CaixaBank. Foi por carta que a empresária angolana relançou esta ideia antiga de fusão que, a avançar, resultará na criação do maior banco privado nacional. Os méritos do negócio são agora explicados pelo presidente da Santoro numa entrevista ao jornal de negócios. O homem forte de Isabel dos Santos, em Portugal, diz que a fusão permitirá criar um banco, sólido e rentável, com posição relevante em vários mercados, com gestão independente e com elevado valor para os acionistas, considerando, neste sentido, que esta é a melhor resposta.

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Esta ideia de fusão é lançada quando está em marcha a OPA do Caixabank sobre o BPI. Um negócio que não agrada a Isabel dos Santos, desde logo porque não reflete o valor correto do BPI e porque não partilha com os acionistas os ganhos que podem vir a ser gerados com as sinergias. Caberá agora às administrações do BCP e do BPI analisar o cenário de fusão. A equipa de Nuno Amado já disse que quer estudar a hipótese se do outro lado também houver interesse. Caso a proposta seja formalizada, caberá depois aos acionistas decidir.

Aos olhos da EDP, que é dona de quase 3% do BCP, vale a pena analisar o negócio. Para António Mexia, presidente da EDP, o BCP já deu um sinal claro de que irá ver as implicações e a EDP, como acionista, tentará analisar profundamente o assunto.

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O governo continua a manter-se reservado ao nível dos comentários e Pires Lima, ministro da Economia, anuncia que, na sua opinião, o futuro deste tipo de instituições deverá ser decidido pelos seus acionistas.

Apesar de Pires Lima não se ter pronunciado sobre o assunto, o governo será chamado a pronunciar-se uma vez que o BCP recebeu ajudas do Estado. Bruxelas também terá de decidir se autoriza a fusão, bem como o Banco Central Europeu e a Autoridade da Concorrência. Antes de tudo, esta união necessita de 75% dos votos em assembleia geral para ser aprovada.