O grupo de ex-administradores do BES, encabeçado por Ricardo Salgado, também tem direito a reforma por todos os seus anos de trabalho - que ficará à responsabilidade do intitulado "Banco mau") -, anunciou hoje o Banco de Portugal (BdP), aquando da apresentação dos resultados de contas do recentemente criado Novo Banco (contas desde Agosto a Dezembro do ano passado).

Com a crise do BES e tendo sido o BdP obrigado a intervir e foram criadas duas entidades: o já referido "Banco mau", que continua a ser chamado de BES, mas que ficou em liquidação e responsável pelos activos e passivos tóxicos do banco; e o intitulado "Banco bom", agora Novo Banco, que ficou responsável pelo conjunto de activos e passivos que se considerou não criarem problemas.

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Hoje, as contas do "Banco bom" foram apresentadas, revelando um prejuízo de 467,9 milhões de euros e foi levantada a questão das reformas. O comunicado oficial da entidade informa sobre os custos com o pessoal (que foi reduzido em 116 postos de trabalho): 191,2 milhões de euros. Mas ressalva "o facto de incluírem 22 milhões de custos com a reforma antecipada de 53 colaboradores". À pergunta sobre se as reformas dos ex-administradores fazem parte desse pacote, Eduardo Stock da Cunha, presidente do Novo Banco, respondeu que não. Apesar de a informação ser a de que as reformas de pessoal como Ricardo Salgado estão incluídas nesse montante.

Mas fonte oficial do "Banco bom" já explicou que a situação será revertida: "O impacto da decisão do Banco de Portugal não está ainda reflectido no balanço do Grupo Novo Banco, encontrando-se em curso os trabalhos para a sua adequada execução".

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Ou seja, as boas novas são: aparentemente o futuro financeiro de Ricardo Salgado e do seu grupo ficará nas mãos do "Banco mau". E o Novo Banco irá pagar 800 milhões a emigrantes com dívida do BES, garantiu hoje o seu presidente. Quanto à situação e compromissos do "Banco bom", com os seus quase 468 milhões de euros de prejuízo, Stock da Cunha continua a manter que os milhares de prejudicados pelas empresas não financeiras do Grupo Espírito Santo não são da sua responsabilidade. Mas, no entanto, apresenta esperança para o futuro. #Negócios #Bancos