A 29 de Maio do ano passado a Rússia, a Bielorrússia, a Arménia e o Cazaquistão acordaram a criação da União Económica Eurasiática (UEE). Contudo, alguns dos cossignatários (aos quais entretanto se juntou o Quirguistão) só se tornarão membros plenos durante este ano. A ideia para uma comunidade económica entre antigos estados soviéticos foi inicialmente proposta por Nursultan Nazarbayev, Presidente do Cazaquistão, em 1994. Implicando uma livre movimentação de bens e políticas económicas comuns, de certo modo espelha a antiga Comunidade Económica Europeia, que antecedeu a atual União Europeia. Apesar da natureza da UEE ser já de si algo inédito, o Presidente russo, Vladimir Putin, apresentou esta sexta-feira, dia 20, um plano ainda mais ambicioso.

Publicidade
Publicidade

Num encontro na capital do Cazaquistão, Astana, defendeu que se deveria debater a possibilidade de os países da UEE desenvolveram uma moeda comum, como havia sucedido com a UE.

Nazarbayev admitiu que os estados da Europa de Leste e da Ásia Central enfrentam desafios económicos sem precedentes, e que seriam necessárias medidas fortes para solidificar a situação financeira dos mesmos. No caso da UEE, isso significaria uma maior proximidade para que, segundo o Presidente do Cazaquistão, assim possam apresentar uma maior flexibilidade para reagir a ameaças externas. É interessante ter em conta que a reunião em questão deveria ter acontecido na semana passada, antes de Valdimir Putin ter desaparecido por dez dias.

Evidentemente que a própria criação da UEE foi alvo de diversas críticas a nível internacional.

Publicidade

Washington afirmou que não era mais do que uma tentativa de Moscovo de recriar o antigo império soviético. No entanto, também é possível afirmar que a mesma faria parte de uma crescente tendência para a criação de grandes blocos económicos, que usariam o seu peso político, industrial e humano para se enfrentarem entre si, esmagando pequenas economias no seu encalço. Num mundo cada vez mais interdependente, esta poderia ser vista como uma atitude natural para tornar políticas financeiras relevantes.

Contudo, a verdade é que a economia russa tem sofrido grandemente com as sanções impostas desde o início da crise ucraniana. Apesar de se ter reforçado em Astana a posição de Putin e Nazarbayev em relação à manutenção de uma Ucrânia unida e forte, a verdade é que o braço de ferro entre Moscovo e a NATO prossegue na Europa de Leste. Tropas de todas as nações da Aliança Atlântica reforçaram os seis centros de comando já estabelecidos, e a Rússia tem levado a cabo os maiores exercícios militares desde o fim da Guerra Fria. A situação é complexa e as jogadas entre as grandes potências prosseguem. #Política Internacional